domingo, 10 de dezembro de 2017

Momentos de Tensão: O Retorno de Aswan para o Cairo (7° Dia - 02/02)





Tudo se passara bem até aquele momento, já havíamos visitado Abu-Simbel (ver postagem Visitando o grandioso templo de Abu Simbel construído pelo faraó Ramsés II (07º Dia - 01/02)), fizemos novas amizades com os outros turistas do grupo e estávamos só aguardando no hotel a chegada da hora para seguirmos ao aeroporto de Aswan e retornar ao Cairo. Porém, ao pesquisar por notícias no celular, nos deparamos com a informação de que no dia anterior, na cidade onde estávamos, algumas pessoas haviam sido mortas devido ao início de uma disputa entre duas etnias desta região do Egito. Essa informação fez todo o sentido quando ligamos ao fato de que ao olharmos pela janela do hotel a avenida estava deserta, poucos carros, nenhuma pessoa nas calçadas, muito diferente do dia anterior e do que ocorre rotineiramente nas cidades egípcias. Foi então que o rapaz que cuidava do hotel nos disse: "Eu vou chamar um táxi para levar vocês ao aeroporto imediatamente, está havendo um problema na cidade e é melhor vocês irem logo ou poderemos ter problemas para atravessar a cidade mais tarde..." Aquilo começou a nos deixar realmente preocupados, além de ser perigoso ainda tínhamos o risco de não chegarmos ao aeroporto devido aos rumores do que estava ocorrendo na cidade. Na TV passavam imagens de manifestações violentas, com a polícia tentando conter uma multidão no centro da cidade. O atendente do hotel ia traduzindo pra gente do árabe para o inglês: "...Acabaram de fechar a estação de trem", disse ele. Repentinamente tudo ficou tenso, o tom de preocupação do dono do hotel que assistia o noticiário, a preocupação do atendente relacionada ao fato de que o taxista estava demorando e já estava começando a escurecer. Os únicos som que escutávamos das ruas eram de viaturas da polícia e do exército passando pela avenida, supostamente se deslocando para reforçar a segurança em pontos estratégicos. Da mesma forma, dissidentes também se movimentavam. Uma caminhonete com pessoas armadas na caçamba cruzou a avenida em frente ao nosso hotel, o que nos deixou cada vez mais aflitos...

Comboio Polícia e Exército de Aswan
Força Policial de Aswan
Exército de Aswan
Polícia de Aswan


Lá pelas 19:30, já escuro, o atendente do hotel nos avisou para descermos que o táxi já havia chegado. Descemos e entramos rapidamente no carro. O motorista, um senhor árabe, vestindo uma túnica, turbante na cabeça que não parou de fumar nem um instante enquanto colocava nossas mochilas no bagageiro. O atendente trocou algumas palavras em árabe com o taxista e decidiu nos acompanhar até o aeroporto. Há algumas quadras da nossa origem recebeu uma ligação, falou algo para o motorista, o motorista parou o veículo, o atendente virou para nós e disse que precisava ir, pois no hospital onde trabalhava também como segurança haviam chegado muitas pessoas feridas e precisavam dele lá. Simplesmente desceu do carro e foi embora. Havíamos pago a corrida antecipadamente a ele no hotel. Partimos por ruas desertas da cidade, eu e a Estela no banco de trás e o motorista fumando e sem dizer uma palavra sequer na direção. Naquele momento, cada um com suas aflições, apenas esperávamos que o atendente do hotel tivesse bem instruído o taxista, avisado que a corrida já estava paga e torcíamos para chegar logo ao aeroporto. Foi então que entramos em uma rua e lá na frente, avistamos uma fogueira no meio da pista trancando a passagem. Conforme o táxi se aproximava dava pra ver alguns homens logo à frente da fogueira, armados com pedaços de pau e barras de ferro. Eu e a Estela não falávamos uma palavra sequer, os dois paralisados no banco de trás como em um sonho em que você não consegue se mexer, mesmo vendo uma situação de perigo logo à frente. Conforme o carro se aproximava nossos pensamentos convergiam para: "não pode ser, ele vai desviar, deve ter uma entrada antes da fogueira, não é possível". Porém ele continuou tranquilamente. Ao chegar ao ponto de bloqueio o motorista apenas baixou seu vidro e resmungou alguma coisa em árabe. Eles olharam pra nós dentro do carro e e abriram passagem pra gente no meio do material que estava queimando. Já havíamos passado por alguns perrengues nesta e em outras viagens, mas neste nível foi realmente sem precedentes. Muitas coisas passam pela nossa cabeça nestas horas, ainda mais em uma região do mundo onde as notícias de ataques terroristas e protestos violentos ainda aconteciam esporadicamente. Nunca pensávamos estar tão próximos disto. Quando passamos pelo bloqueio na rua, mesmo paralisados e sem falar uma palavra um com o outro, nossa sensação foi notória para ambos: um misto de medo, adrenalina e alívio. Seguimos com o táxi por mais alguns quilômetros até sair da cidade. Vimos mais alguns pontos de bloqueio, mas não diretamente no nosso caminho como o anterior.  No caminho do aeroporto passamos sobre a barragem da represa de Aswan, neste ponto fomos parados por militares que pediram os nossos passaportes e fizeram uma rápida vistoria no porta malas do carro. Tudo liberado, continuamos a seguir em direção ao aeroporto.

Trajeto Memnon Hotel a Aeroporto Internacional de Aswan

Foi aí que aconteceu o segundo perrengue da noite. O nosso taxista seguia por uma rodovia escura e praticamente deserta, sem nenhum movimento de veículos. Estávamos tensos, só pensávamos em chegar logo ao aeroporto e sair dali. Foi então que o motorista passou a dirigir acelerando o veículo e bruscamente desacelerando, como se quisesse parar, mas na sequencia desistindo e prosseguindo um pouco mais. Por alguns instantes parecia tal estranha essa percepção que naquela escuridão parecia nem ser verdadeira. Até que ele diminuiu a velocidade e efetivamente parou. No meio do nada. Tudo escuro. Novamente nos olhamos sem entender o que ocorria. Vi a mão do motorista pegar alguma coisa no painel, logo abaixo do rádio, enrolado a um pano. Me pareceu um cabo de faca. Foi então que que ele abriu a porta e saiu do carro com aquilo na mão. Eu estava sentado no lado oposto ao motorista, no banco de trás. Abri a porta, saí por trás e parti ao encontro dele fora do carro. Não sabia o que exatamente ele estava querendo, mas pelas evidências estávamos prestes a ser assaltados ou atacados. Pelo menos eu ia tentar dar uma resistência. Bom, o cara era um velhote, a menos que fosse um mestre das artes marciais, eu até que tinha uma boa chance! Quando ele me viu partindo pra cima dele fez uma cara de espanto, resmungando um "no, no, no problem!" e fazendo um gesto com as mãos, se desculpou dizendo para eu parar. Na sequência ele levou aquilo que estava embrulhado em sua mão até um poste e o escondeu em meio ao mato. "Don't worry, no problem!", disse ele, e foi voltando de mãos vazias para o carro. Eu não entendi muito o que se passara naquele momento, mas voltamos ao carro. A Estela me perguntou o que houve, sem entender nada. Achei melhor não falar, só queria que tudo aquilo acabasse logo. Seguimos com o carro mais alguns metros e para nossa alegria (e alívio), vi uma placa em inglês sinalizando para o aeroporto. "Ufa! pelo menos estávamos na direção correta". Mas... ainda havia a última surpresa da noite. Já com o terminal de passageiros em vista, ao entrarmos no acesso viário do aeroporto, uma barreira de controle do exército logo à frente. Dois soldados gritaram pra pararmos. Um deles atrás de uma barricada com uma metralhadora apontada para o carro e outro com um fuzil também direcionado a nós, dedo no gatilho, gritando pra sairmos do carro. Quando viram que éramos turistas, pediram nossos passaportes e os bilhetes do voo, foram revistar todo o carro. Foi aí que entendi porque o motorista escondeu sua "arma" antes de chegarmos ao aeroporto. Ali eles revistam minunciosamente o carro e ele teria problema se achassem algo de errado. Após a liberação ele nos deixou na entrada do saguão de embarque. Apesar dos pesares tudo acabara bem, graças a Alá!!! Foi o maior alívio que poderíamos ter depois de momentos tão tensos. Estávamos a salvo no aeroporto de Aswan. Para entrar no Saguão do aeroporto mais uma revista nas mochilas e conferência dos passaportes e bilhetes do voo. Fizemos o check-in já próximo das 21:00 h, nosso voo sairia somente a 01:00 da madrugada. Sem problemas, afinal, o que poderia ser pior de tudo o que passamos naquela noite?!
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O voo até o Cairo durou cerca de 1 hora e meia. Quando chegamos, até pegarmos as mochilas, já eram 3:00 h da madrugada. Nosso plano era de seguir de ônibus até Alexandria. Em nossas pesquisas havia uma opção de ônibus que saía ali mesmo de uma estação rodoviária que fica anexa ao aeroporto do Cairo. Porém fomos nos informar pessoalmente e o primeiro horário era somente para as 7:00 h. Decidimos que seria melhor esperar ali mesmo no aeroporto. Dormimos, ou tentamos dormir, sobre as cadeiras do saguão até o dia amanhecer e conseguimos pegar o primeiro ônibus pra Alexandria conforme programado.
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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Fim de Semana no Monte Saint Michel e Praias do Desembarque do dia D na Normandia (01/02)





Em março de 2016, tive a oportunidade de viajar à trabalho para a França. Foram 15 dias que passei na região de Versalhes para fazer um treinamento na sede da empresa em que trabalho aqui no Brasil. Como eu tinha um final de semana livre por lá, aluguei um carro e aproveitei para fazer uma viagem até a região da Normandia e conhecer  alguns lugares que eu queria há muito tempo muito visitar: o Monte Saint Michel e algumas das praias do desembarque no dia D durante a Segunda Guerra Mundial. Aconselho muito fazer este passeio. Além das belas paisagens e da questão histórica que envolve toda a Normandia, é muito prático alugar um carro e se deslocar pelo interior da França. O aluguel não é caro se comparado ao Brasil e o veículo vai lhe proporcionar uma liberdade muito grande de horários, deslocamentos e paradas para apreciar as belas paisagens do caminho. Se você vai estar à passeio ou a trabalho em Paris, considere dar esta esticada até a Normandia.  Meu planejamento era de passar um dia todo do sábado visitando o monte Saint Michel, dormir em algum hotel da região e no domingo cedo seguir até as "plages du débarquement" ou "prais do desembarque", como são conhecidos os pontos onde as tropas de soldados aliados chegaram para combater no famoso "Dia D", que definiu o rumo da Segunda Guerra Mundial. Saí de Versailles às 03:00 h da madrugada de sexta para sábado. Meu destino direto era o Monte Saint Michel. Antes, verifiquei as opções de trajeto no site do Guia Michelin. Este guia é muito bom para planejar uma viagem de carro pela França, pois lhe dá as opções de trajeto com os custos estimados de combustível, pedágio, tempo do percurso, opções de parada para refeições, etc. O site me deu 3 opções de trajeto, optei pela rota mais curta (305 km) e sem pedágio para a ida (N12), mesmo sendo a mais demorada. Neste caso é importante "ajustar" o GPS do carro para a rota definida, pois ele pode lhe indicar o caminho mais rápido, que neste caso seria pela rota A13 do mapa abaixo.


Mapa Guia Michelin, percurso de Ida: Versaille ao Monte Saint Michel - 305 km, opção 02 (Percurso sem pedágio, mas com diversos desvios por estradas locais. Saída de Versailles: 03:00 h - chegada ao Monte Saint Michel às 07:15 h da manhã.

Além do percurso pela rota N12 ser mais demorada pelos inúmeros desvios e entradas por cidadezinhas e e estradas locais, eu peguei muito nevoeiro por praticamente todo o caminho. A neblina era tão forte que em alguns trechos era difícil pra ver a uma distância de uns 5 metros à frente. Tive que ir bem devagar. Cheguei ao estacionamento do Monte Saint Michel às 07:15 h da manhã do sábado.


Estacionamento Monte Saint Michel

Só se pode chegar de carro até este estacionamento, que é pago fica a cerca de 3 km do Monte. À partir de lá é necessário deixar o carro e seguir a pé ou pegar os ônibus gratuitos que fazem o trajeto ida e volta do estacionamento até o monte. O estacionamento é todo automatizado, na entrada você pega um cartão na cancela automática e depois na volta paga nos caixas eletrônicos próximos ao estacionamento, somente com cartão de crédito (custo de 11,70 euros para 24 horas de estacionamento). Como eu cheguei muito cedo, não havia quase nenhum carro no estacionamento. Também não haviam iniciados os serviços de ônibus até o Monte. Então peguei a mochila e a câmera e segui a pé mesmo. O frio era muito forte, o vento gelado e a neblina ainda persistia em fechar toda a visão à frente. Infelizmente naquele dia e horário  não foi possível ver a "paisagem de cartão postal" que é a visão do Monte distante,  com seu contorno característico se erguendo sobre a planície da baía.


Monte Saint Michel, há 3 km de distância


Outro ponto importante a ser verificado antes de seguir para lá são os horários das marés. A fama do lugar se deve principalmente às incríveis e impressionantes mudanças das marés. Quando a maré sobe ao nível máximo o Monte fica totalmente ilhado, ninguém entra e ninguém sai à pé. Mesmo pela estradinha que dá acesso ao local desde o estacionamento, que foi elevada e reformulada recentemente, o ponto final dela também fica imerso.


Para minha sorte, naquele dia haveria a segunda maior maré do mês e o horário da maré alta seria em torno das 08:30 da manhã. Eu sabia disso porque pesquisei antes de sair de Versailles no site oficial do Monte Saint Michel. Então deu muito certo de eu chegar cedo e poder entrar antes da maré fechar o acesso. Mesmo com a neblina atrapalhando a visão mais ampla que eu queria ter da baía toda inundada ao redor do Monte, foi possível ver  a entrada encoberta e as pessoas esperando para poder atravessar.


Últimos a chegarem ao Monte após a mudança alta


Dentro dos limites das muralhas do Saint Michel você se sente em uma vila medieval, destas que vemos em filmes. Logo na entrada existe um portão que se abaixa formado uma ponte sobre um pequeno canal, bem no estilo dos castelos medievais. As construções são todas em pedra e existe uma alameda principal bem estreita para circulação dos turistas com diversos restaurantes, cafés, lojas de souvenires e algumas pousadas.






Esta alameda vai terminar justamente no acesso de visitação à Abadia, principal atração do local. Também é possível acessar parte da muralha e caminhar sobre ela, tendo uma vista maravilhosa de toda a baia e suas mudanças de marés.



O acesso ao Monte, dentro dos limites da muralha é gratuito. Ou seja, você pode circular pela alameda principal, pela muralha, frequentar os restaurantes sem ter que pagar o ingresso. O único local em que é cobrada a entrada é para visitar o interior da Abadia e toda a parte do mosteiro. O ingresso custou EU 9,00 e com certeza é o ponto mais interessante do passeio. A visita à Abadia é autoguiada, bastando seguir as indicações. Existe a possibilidade de alugar um aparelho de áudio que reproduz faixas explicativas de cada parte visitada. O local é composto de vários níveis que foram sendo construídos ao longos dos anos. A igreja fica no nível mais alto, com uma torre enorme contendo a imagem do arcanjo Sant-Michel, podendo ser vista de muito longe. Em frente à igreja existe um terraço com a melhor vista da baía.




Seguindo a visitação, ao lado da igreja fica o claustro, uma espécie de jardim rodeado de colunas onde os monges ficavam meditando. É um belo jardim suspenso, pois depois no decorrer da visita você chega à parte inferior dele, que é um grande salão com imensas colunas e abóbodas.







Outro ponto alto da visita é o salão de refeições dos monges, com mesas de madeira posicionadas ao redor do ambiente. A igreja fica apoiada em imensas colunas de pedra, e no passeio também dá para ver a parte inferior dela, e acessar este local onde ficam estas colunas. Mais adiante existe uma sala onde fica uma dispositivo com uma grande roda de madeira e cordas onde os monges içavam os mantimentos lá para o alto da Abadia. Como o local ficava isolado a maior parte do tempo, este sistema garantia o abastecimento de forma rápida, sem prejudicar a privacidade dos monges. São diversos ambientes, corredores, salas que nos dão uma ideia de como os mongem viviam praticamente isolados no local. Com certeza é um belíssimo passeio !






Como eu disse anteriormente, o fato de chegar cedo, antes da maré subir e fechar o acesso ao monte me proporcionou poder visitar toda a Abadia tranquilamente, pois ela estava bem vazia. Somente quando a maré baixou, depois das 12:00 h, foi que uma multidão de turistas adentrou ao local.
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Existem várias opções de restaurantes no local, mas com certeza, o mais famoso e tradicional é o La Mère Poulard. Neste restaurante o prato principal é o famoso omelete do Monte Saint Michel, que é preparado de forma bem artesanal. Os turistas podem acompanhar de uma janela os cozinheiros batendo o omelete à mão dentro da cozinha do restaurante. O cozimento é feito em panelas de ferro no fogo à lenha de uma forma bem rústica, fica uma delícia!


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À tarde, já sem a neblina, foi possível ter uma vista mais ampla da baía, já com a maré bem baixa. Na verdade, quando a maré baixa fica uma imensa superfície de areia molhada com poças d'agua ao redor do Monte. É difícil e também perigoso caminhar nesta areia devido o risco de afundar nela. Alguns turistas até se ariscam dar uma volta ao redor do monte na maré baixa, mas geralmente fazem isso em grupos, com guia.






Lá pelas 17:00 h, com o sol já baixando no horizonte, o vento gelado e os turistas deixando o local em massa pela estrada de acesso, tirei as últimas fotos e filmagens do lado externo.






Hora de se despedir e seguir viagem. Reservei um hotel "low cost" para esta noite antecipadamente pela internet ainda em Versalhes. Este hotel foi o Formule 1 (rede Arccor), que ficava na cidade de Avranches, a uns 15 km do Saint-Michel, nas margens da rodovia principal. Essa é uma das vantagens de se ter um carro disponível nessas horas, liberdade de horários e mais possibilidades de locais para se hospedar. O hotel custou 30,00 Euros em um quarto que poderia hospedar até 3 pessoas, sem café da manhã. É um hotel simples mas muito prático, principalmente se o objetivo for descansar e passar a noite para seguir viagem no dia seguinte.








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domingo, 29 de janeiro de 2017

Visitando o Vale Sagrado (17° dia)








Para o povo Inca, tudo o que fosse sagrado na Terra tinha uma representação no céu. Desta forma, a Via Lactea, o "rio celestial", foi a inspiração para a criação de vários povoados ao longo do rio Urubamba, no trecho entre Pisac e Machu Picchu, dando origem ao Vale Sagrado. Nesta área, rica em belas paisagens, a arquitetura inca ficou registrada para nos mostrar a forma como esta civilização compreendia e se situava no mundo. Assim, o 17° dia de nossa viagem ao Peru, terceiro dia em Cusco, foi reservado para visitarmos este vale. Este roteiro é muito tradicional entre os visitantes da cidade de Cusco e pode ser um dos trajetos a ser utilizado para chegar ao povoado de Águas Calientes, base para a visita ao sítio arqueológico de Machu Picchu.


Rio Urubamba, Vale Sagrado

Pisac, Vale Sagrado


Optamos por contratar este passeio junto a uma agência em Cusco. As agencias locais organizam estes tours de um dia com micro ônibus e um guia que acompanha o grupo e vai explicando sobre os pontos visitados em cada parada. Geralmente eles tentam te oferecer um "pacote" combinado com outros  passeios para cada dia que você for ficar na cidade, incluindo também Machu Picchu. Contratamos somente o Vale Sagrado, que custou s/ 40,00 por pessoa (incluindo o almoço). É possível percorrer o Vale sagrado por conta própria também, de ônibus coletivo, taxi, ou até mesmo de bicicleta. É possível, inclusive, ir visitando cada vila em dois ou mais dias e pernoitar nas pousadas pelo caminho, conhecendo com calma cada ponto turístico do vale.  Como só tínhamos este único dia disponível, combinado com o deslocamento à Águas Calientes e Machu Picchu, o passeio guiado foi a nossa melhor opção.

Roteiro Vale Sagrado
Partimos de Cusco lá pelas 9:00 h. No nosso grupo estavam alguns brasileiros e peruanos. A primeira parada foi na estrada, para admirarmos a vista do começo do Vale no mirador de Taray. Na verdade o ônibus para também em alguns locais de venda de artesanatos no caminho, isso para que você compre e eles ganhem comissão dos vendedores. Os preços destes pontos de venda geralmente são maiores do que você vai encontrar no centro de Cusco, então nossa dica é de deixar pra ver artesanatos e lembrancinhas em Cusco mesmo.

Mirador de Taray


Na sequência seguimos até Pisac, onde vimos as ruínas dos terraços agricultáveis Incas, que ficam em uma encosta íngreme. Impressionante como eles conseguiram transformar uma terra de difícil acesso em um local de produção farta de alimentos. Pisac, assim como outras cidades Incas do Vale sagrado, também servia como um ponto fortificado de vigilância e descanso dos viajantes que circulavam pelo império. Nas encostas de Pisac também há um cemitério, porém as múmias que ali se encontravam não estão mais lá, foram saqueadas. O guia do tour vai explicando cada detalhe do local e depois você tem um tempo livre para dar caminhar e fotografar. 


Sítio Arqueológico de Pisac

Terraços agrícolas, em Pisac

Ruínas de Pisac

Construções de Pisac
Explorando as ruínas de um dos sítios arqueológicos do Vale Sagrado


Para ter acesso ao sítio arqueológico é necessário ter o adquirido o boleto turístico, comprado antecipadamente e à parte do passeio do Vale Sagrado (ver postagem "Os templos e ruínas nos arredores de Cusco"). Após  conhecer as ruínas de Pisac, descemos até a sede do vilarejo, com o mesmo nome. Hoje Pisac vive do turismo e da agricultura. Neste povoado há algumas fábricas artesanais de joias de prata.


Terraços e povoado de Pisac
Seguimos viajem até o restaurante, um pouco adiante de Pisac. O almoço estava incluso no pacote. Almoçamos em um buffet livre, no restante do Peru não havíamos encontrado nenhum restaurante com este serviço, todos eram tipo "à la carte". Na região de Cusco, estes restaurantes são mais comuns devido a grande presença de brasileiros. Na sequencia, seguimos em direção à Ollataytambo. Nestas alturas começou a chover e foi necessário vestir capas de chuva para subir até às ruínas. No topo da colina de Ollantaytambo o esforço é recompensado com uma vista maravilhosa da vila, das montanhas e do fundo do vale. O guia foi explicando sobre o local , suas construções de pedra e seu significado para a cultura Inca. Os terraços de Ollantaytambo são menores que os de Pisac, porém estavam muito mais conservados. No topo da montanha existem algumas pedras gigantes, entalhadas e e encaixadas perfeitamente, formando um ícone cerimonial Inca. Na montanha à frente, uma imagem na rocha lembra um rosto humano.


Sítio Arqueológico de Ollantaytambo
Vilarejo de Ollantaytambo

Após a visita de Ollantaytambo, nós ficamos na vila mesmo enquanto o restante do grupo seguiu o passeio até Chinchero. O trem até águas Calientes sairia da estação de Ollantaytambo, então deixamos de fazer a visita de Chinchero, que era a última do tour e não voltamos com o restante do grupo à Cusco. Com esta logística ganhamos um dia na viagem, combinando o passeio do Vale Sagrado com o deslocamento até Águas Calientes. Outros dois casais de brasileiros do grupo fizeram a mesma coisa que a gente e também ficaram em Ollantaytambo conosco.  O combinado era que o ônibus nos deixasse na estação de trem, que ficava cerca de 1,5 km da vila de Ollantaytambo, porém o motorista começou a discutir com o guia dizendo que não iria na estação pois estava atrasado e o ônibus precisava seguir viagem, pois afinal, já eram quatro e meia da tarde. O guia até tentou insistir, mas nitidamente o ônibus era subcontratado da agência. Não foi o combinado, mas como nosso trem sairia às 17:00 h, tivemos que sair correndo, pegar "mototaxi" para chegar a tempo à estação (ver postagem "Mototaxi Peruano" ...). Nestas horas o importante é garantir os horários e deixar as discussões de lado.  Pagamos 4 soles pela corrida "tuc-tuc" e chegamos à tempo de pegar o trem com folga. As passagens de trem já haviam sido compradas com antecedência. Assim seguimos por cerca de 1 hora e meia de trem até chegarmos no início da noite ao povoado de Águas Calientes. Não foi difícil encontrarmos um hostel com boas condições e preço acessível para ficarmos. Mais um dia intenso da viagem chegava ao fim. Esse, com uma ansiedade e expectativa ainda maior, pois estávamos a poucas horas de conhecer Machu Picchu. 





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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Visitando o grandioso templo de Abu Simbel construído pelo faraó Ramsés II (07º Dia - 01/02)




Uma obra faraônica, literalmente! E olha que não estamos falando somente da construção do grande templo de Abu-Simbel, no sul do Egito, fronteira com o Sudão. Tampouco das quatro estatuas colossais de Ramsés II, o faraó que mandou construir o local por volta de 1284 A.C, posicionadas em sua fachada. O que pode ser considerado um dos maiores feitos da engenharia para a época foi o reassentamento deste incrível templo ocorrido na década de 60, coordenado pela UNESCO. Isso mesmo, a montanha foi "fatiada" e transportada 210 metros para trás e 65 metros acima do seu local original. Uma grande realização da engenharia moderna. Toda essa operação incrível foi para salvar o local da eminente inundação que ocorreria ao final da construção da represa de Aswan e da formação do Lago Nasser.
A grandiosidade do Templo de Abu Simbel

Lago Nasser

O Egito precisava de uma represa para controlar as cheias do Rio Nilo, tão importantes na antiguidade para fertilizar as margens agricultáveis do rio mas que já se tornavam um problema para as cidades estabelecidas ao longo do curso do Nilo. Outro benefício que a obra traria era uma usina hidroelétrica, necessária para o desenvolvimento do país. Porém o custo pago pela modernidade seria alto para o acervo arqueológico: dezenas de templos e estatuas seriam encobertos pela água, milênios de história perdidos... Foi aí que a UNESCO iniciou uma campanha a nível mundial para salvar alguns destas jóias do antigo Egito, dentre elas o Templo de Ramsés II e um segundo templo dedicado a sua esposa Nefertari. Outros templos e peças também foram recuperados na região, porém foram doados para importantes museus espalhados pelo mundo todo. Toda esta introdução foi para descrever o qual incrível que era esse lugar e toda a nossa expectativa para conhecê-lo naquele dia de primavera do mês de abril, o 7° dia da nossa viagem ao Egito! Acordamos por volta das 2:30 da manhã no Hotel Memnon, em Aswan. Ficou combinado que um carro iria nos apanhar no hotel às 3:00 h para nos conduzir até o ponto de partida do comboio para Abu Simbel, cerca de 300 km da cidade de Aswan. Como o local é muito distante, isolado e a viagem toda é pelo meio do deserto, todos os grupos saem juntos escoltados pela polícia em um comboio. Essa é a versão dos guias turísticos e da polícia, porém a verdade é que existe um risco muito grande de ataques terroristas contra turistas, principalmente por  parte de grupos radicais sudaneses vizinhos . Em 1997, 60 turistas foram assassinados no templo de Hatsetshup em Luxor, Depois disso vários outros pequenos ataques foram registrados ao longo dos anos pelo sul do Egito. Neste caso uma escolta é muito bem vinda! Existe até um "cuidado" especial se você for americano, Quando as vans e carros das agências se posicionam na fila do comboio com os turistas, um agente passa cadastrando as nacionalidades dos passageiros que farão a viagem. Se tiver algum americano dentro a segurança é reforçada para aquele veículo. Na nossa van estavam uma australiana, uma chinesa, um paquistanês e nós, brasileiros. Logo, não tivemos tratamento diferenciado. Como já mencionamos nas postagens anteriores, poucos turistas viajavam pelo país naquela época devido aos reflexos da violenta primavera árabe que ocorrera alguns anos atrás. Para um destino exótico e isolado como Abu Simbel então, menos turistas ainda... Saímos com o comboio por volta das 4:00 h daquela madrugada, logo a cidade ficou para trás e a escuridão do deserto  nos acompanhou por um bom trecho ainda. Conseguimos dormir um pouco, quando acordamos, um deserto gigantesco visto por todos os lados janela da van e a estrada asfaltada, em boas condições,  por onde seguíamos. Por volta da 09:00 h chegamos à Abu Simbel. A primeira imagem que se tem ao chegar é a do imenso lago Nasser, com o Sudão ao fundo, porém tudo é deserto. Para entrar no templo é necessário adquirir os ingressos, vendidos lá na hora e pagos somente em espécie.



Mapa de localização de Abu Simbel, extremo sul do Egito


Chegada à Abu Simbel

O templo é fantastico, vale a viagem toda! logo de cara você vê as quatro poderosas estátuas de 25 metros de altura do faraó sentado em seu trono. Uma delas sem a cabeça, perdida em um terremoto. Dentro do templo outras várias estátuas  e os detalhes das paredes totalmente entalhadas com hieroglifos e representações dos feitos do faraó. Ramsés não era nada modesto, fez questão de enfatizar suas supostas vitórias em diversas batalhas como um grande líder que sempre estava a frente do seu exercito em carruagens de gerra .  A mais conhecida destas representações foi a batalha de Kadesh, contra os Hititas, na qual ele foi entalhado nas paredes internas de abu-simbel sobre uma carruagem portando seu arco e flecha posando como grande vencedor. Reza a lenda que ele tinha centenas de esposas e mais de 200 filhos! Mas dentre todas estas mulheres Nefertari foi a que mais se destacou e tinha um lugar especial no coração do Grande faraó, a ponto de receber um templo dedicado a sua pessoa: Templo de Hathor, que fica ao lado do grande templo de Abu Simbel.

Ramsés II
Fachada do Templo de Abu Simbel


Os quatro colossos de Ramsés II do templo de Abu Simbel


Colossos de Ramsés II


Colosso quebrado em terremoto


Templo de Hathor, homenagem de Ramsés II à Nefertari


Estátuas de Ramsés II alternadas com as de Nefertari no templo de Hathor

Templo de Hathor, ao fundo o Templo de Abu Simbel

A parte interna de Abu Simbel é realmente incrível, ainda com suas pinturas, entalhes e estátuas bem preservados, mas o que demonstra bem a magnitude deste lugar é o chamado "Santuário Interno", onde quatro estátuas estão sentadas de frente ao corredor que vem diretamente da porta de entrada do templo. Estas estátuas representam 3 deuses do antigo Egito e o próprio Ramsés como sendo um 4° Deus. Duas vezes ao ano, com o alinhamento solar com a porta do Templo, o rosto de 3 das 4 estátuas era (e ainda é) iluminado por alguns minutos pelo sol. Isso demonstra o quão habilidosos e detalhistas foram os construtores do templo e como os antigos egípcios conheciam de astronomia e outras ciências. Depois de algumas horas visitando os dois templos, iniciamos o retorno à Aswan. Conversamos bastante com o paquistanês e com as duas outras meninas do nosso tour, a ponto de irmos todos a uma lanchonete quando chegamos de volta à cidade. Experimentamos umas comidas típicas do Egito, sob orientação do paquistanês, que falava fluentemente o árabe e conhecia bem a cultura local. Ele ainda fez questão de pagar toda a conta! Voltamos ao hotel no finalzinho da tarde, bastante cansados, mas como já havíamos fechado a conta só pegamos as mochilas e aguardamos na recepção até dar a hora de se deslocar até o aeroporto, para retornar ao Cairo.

Os custos do passeio de Abu Simbel foram de: 
Transporte de Van: Aswan > Abu Simbel > Aswan, contratado no hotel Memnon: 60,00 LE por pessoa
Entradas em Abu Simbel: 65,00 LE por pessoa.

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