terça-feira, 15 de agosto de 2017

Monte Saint Michel e Praias do Desembarque do dia D na Normandia (1/2)




Recentemente tive a oportunidade de viajar à trabalho para a França (março/2016). Foram 15 dias que passei na região de Versalhes para fazer um treinamento na sede da empresa em que trabalho aqui no Brasil. Como eu tinha um final de semana livre por lá, aluguei um carro e aproveitei para fazer uma viagem até a região da Normandia e conhecer  alguns lugares que eu queria a muito tempo muito visitar: o Monte Saint Michel e algumas das praias do desembarque do dia D da segunda guerra mundial.



Eu aconselho muito fazer este passeio. Além das belas paisagens e da questão histórica que envolve toda a Normandia, é muito prático alugar um carro e se deslocar pelo interior da França. O aluguel não é caro se comparado ao Brasil e o veículo vai lhe proporcionar uma liberdade muito grande de horários, deslocamentos e paradas para apreciar as belas paisagens do caminho. Se você vai estar à passeio ou a trabalho em Paris, considere dar esta esticada até a Normandia.  
Meu planejamento era de passar um dia todo (sábado) visitando o monte Saint Michel, dormir em algum hotel da região e no domingo cedo seguir até as "plages du débarquement" ou "prais do desembarque", como são conhecidos os pontos onde as tropas de soldados aliados chegaram para combater no famoso "Dia D", que definiu o rumo da Segunda Guerra Mundial.
Saí de Versailles às 03:00 h da madrugada de sexta para sábado. Meu destino direto era o Monte Saint Michel. Antes, verifiquei as opções de trajeto no site do Guia Michelin. Este guia é muito bom para planejar uma viagem de carro pela França, pois lhe dá as opções de trajeto com os custos estimados de combustível, pedágio, tempo do percurso, opções de parada para refeições, etc. O site me deu 3 opções de trajeto, optei pela rota mais curta e sem pedágio para a ida (N12), mesmo sendo a mais demorada. Neste caso é importante "ajustar" o GPS do carro para a rota definida, pois ele pode lhe indicar o caminho mais rápido, que neste caso seria pela rota A13 do mapa abaixo.

Percurso de Ida: Versailles ao Monte Saint Michel - 305 km - Opção 2 do mapa abaixo - Percurso sem pedágio, mas com diversos desvios por estradas locais. Saída de Versailles: 03:00 h - chegada ao Monte Saint Michel às 07:15 da manhã.


Além do percurso pela rota N12 ser mais demorada pelos inúmeros desvios e entradas por cidadezinhas e e estradas locais, eu peguei muito nevoeiro por praticamente todo o caminho. A neblina era tão forte que em alguns trechos era difícil pra ver a uma distância de uns 5 metros à frente. Tive que ir bem devagar.
Cheguei ao estacionamento do Monte Saint Michel às 07:15 da manhã do sábado. Só se pode chegar de carro até este estacionamento, que é pago fica a cerca de 3 km do Monte. À partir de lá é necessário deixar o carro e seguir a pé ou pegar os ônibus gratuitos que fazem o trajeto ida e volta do estacionamento até o monte. O estacionamento é todo automatizado: na entrada você pega um cartão na cancela automática e depois na volta existem caixas eletrônicos próximos ao estacionamento para fazer o pagamento, somente com cartão de crédito (custo de 11,70 euros para 24 horas de estacionamento).
Como eu cheguei muito cedo, não havia quase nenhum carro no estacionamento. Também não havia iniciado os serviços de ônibus até o Monte. Então peguei a mochila e a câmera e segui a pé mesmo. O frio era muito forte, o vento gelado e a neblina ainda persistia em fechar toda a visão à frente. Infelizmente naquele dia e horário  não foi possível ver a "paisagem de cartão postal" que é a visão do Monte distante,  com seu contorno característico se erguendo sobre a planície da baía.
Outro ponto importante a ser verificado antes de seguir para lá são os horários das marés. Como vocês devem saber, a fama do lugar se deve principalmente às incríveis e impressionantes mudanças das marés. Quando a maré sobe ao nível máximo o Monte fica totalmente ilhado, ninguém entra e ninguém sai à pé. Mesmo pela estradinha que dá acesso ao local desde o estacionamento, que foi elevada e reformulada recentemente, o ponto final dela também fica imerso.
Para minha sorte, naquele dia haveria a segunda maior maré do mês e o horário da maré alta seria em torno das 08:30 da manhã. Eu sabia disso pois pesquisei antes de sair de Versailles no site http://www.ot-montsaintmichel.com/en/horaire-marees/mont-saint-michel.htm. Então deu muito certo de eu chegar cedo e poder entrar antes da maré fechar o acesso. Mesmo com a neblina atrapalhando a visão mais ampla que eu queria ter da baía toda inundada ao redor do Monte, foi possível ver  a entrada encoberta e as pessoas esperando para poder atravessar.



Dentro dos limites das muralhas do Saint Michel você se sente em uma vila medieval, destas que vemos em filmes. Logo na entrada existe um portão que se abaixa formado uma ponte sobre um pequeno canal, bem no estilo dos castelos medievais. As construções são todas em pedra e existe uma alameda principal bem estreita para circulação dos turistas com diversos restaurantes, cafés, lojas de souvenires e algumas pousadas.




Esta alameda vai terminar justamente no acesso de visitação à Abadia, principal atração do local. Também é possível acessar parte da muralha e caminhar sobre ela, tendo uma vista maravilhosa de toda a baia e suas mudanças de marés.



O acesso ao Monte, dentro dos limites da muralha é gratuito. Ou seja, você pode circular pela alameda principal, pela muralha, frequentar os restaurantes, etc, sem ter que pagar o ingresso. O único local em que é cobrada a entrada é para visitar o interior da Abadia e toda a parte do mosteiro. O ingresso custou EU 9,00 e com certeza é o ponto mais interessante do passeio.
A visita à Abadia é autoguiada, bastando seguir as indicações. Existe a possibilidade de alugar um aparelho de áudio que reproduz faixas explicativas de cada parte visitada. O local é composto de vários níveis que foram sendo construídos ao longos dos anos. A igreja fica no nível mais alto, com uma torre enorme contendo a imagem do arcanjo Sant-Michel, podendo ser vista de muito longe. Em frente à igreja existe um terraço com a melhor vista da baía.




Seguindo a visitação, ao lado da igreja fica o claustro, uma espécie de jardim rodeado de colunas onde os monges ficavam meditando. É um belo jardim suspenso, pois depois no decorrer da visita você chega à parte inferior dele, que é um grande salão com imensas colunas e abóbodas.






Outro ponto alto da visita é o salão de refeições dos monges, com mesas de madeira posicionadas ao redor do ambiente. A igreja fica apoiada em imensas colunas de pedra, e no passeio também dá para ver a parte inferior dela, e acessar este local onde ficam estas colunas. Mais adiante existe uma sala onde fica uma dispositivo com uma grande roda de madeira e cordas onde os monges içavam os mantimentos lá para o alto da Abadia. Como o local ficava isolado a maior parte do tempo, este sistema garantia o abastecimento de forma rápida, sem prejudicar a privacidade dos monges. São diversos ambientes, corredores, salas que nos dão uma ideia de como os mongem viviam praticamente isolados no local. Com certeza é um belíssimo passeio !






Como eu disse anteriormente, o fato de chegar cedo, antes da maré subir e fechar o acesso ao monte me proporcionou poder visitar toda a Abadia tranquilamente, pois ela estava bem vazia. Somente quando a maré baixou, depois das 12:00 h, foi que uma multidão de turistas adentrou ao local.
Existem várias opções de restaurantes no local, mas com certeza, o mais famoso e tradicional é o La Mère Poulard. Neste restaurante o prato principal é o famoso omelete do Monte Saint Michel, que é preparado de forma bem artesanal. Os turistas podem acompanhar de uma janela os cozinheiros batendo o omelete à mão dentro da cozinha do restaurante. O cozimento é feito em panelas de ferro no fogo à lenha de uma forma bem rústica, fica uma delícia!



À tarde, já sem a neblina, foi possível ter uma vista mais ampla da baía, já com a maré bem baixa, e tirar mais fotos. Na verdade, quando a maré baixa fica uma imensa superfície de areia molhada com poças d'agua ao redor do Monte. É difícil e também perigoso caminhar nesta areia devido o risco de afundar nela. Alguns turistas até se ariscam dar uma volta ao redor do monte na maré baixa, mas geralmente fazem isso em grupos, com guia.


Lá pelas 17:00 h, com o sol já baixando no horizonte, o vento gelado e os turistas deixando o local em massa pela estrada de acesso, tirei as últimas fotos e filmagens do lado externo. Hora de se despedir e seguir viagem. Reservei um hotel "low cost" para esta noite antecipadamente pela internet ainda em Versalhes. Este hotel foi o Formule 1 (rede Arccor), que ficava na cidade de Avranches, a uns 15 km do Saint-Michel, nas margens da rodovia principal. Essa é uma das vantagens de se ter um carro disponível nessas horas, liberdade de horários e mais possibilidades de locais para se hospedar. O hotel custou 30,00 Euros em um quarto que poderia hospedar até 3 pessoas (sem café da manhã). É um hotel simples mas muito prático, principalmente se o objetivo for descansar e passar a noite para seguir viagem no dia seguinte.






Confiram mais algumas imagens do Monte Saint Michel no vídeo que fiz na minha visita:








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domingo, 29 de janeiro de 2017

Visitando o Vale Sagrado (17° dia)








Para o povo Inca, tudo o que fosse sagrado na Terra tinha uma representação no céu. Desta forma, a Via Lactea, o "rio celestial", foi a inspiração para a criação de vários povoados ao longo do rio Urubamba, no trecho entre Pisac e Machu Picchu, dando origem ao Vale Sagrado. Nesta área, rica em belas paisagens, a arquitetura inca ficou registrada para nos mostrar a forma como esta civilização compreendia e se situava no mundo. Assim, o 17° dia de nossa viagem ao Peru, terceiro dia em Cusco, foi reservado para visitarmos este vale. Este roteiro é muito tradicional entre os visitantes da cidade de Cusco e pode ser um dos trajetos a ser utilizado para chegar ao povoado de Águas Calientes, base para a visita ao sítio arqueológico de Machu Picchu.


Rio Urubamba, Vale Sagrado

Pisac, Vale Sagrado


Optamos por contratar este passeio junto a uma agência em Cusco. As agencias locais organizam estes tours de um dia com micro ônibus e um guia que acompanha o grupo e vai explicando sobre os pontos visitados em cada parada. Geralmente eles tentam te oferecer um "pacote" combinado com outros  passeios para cada dia que você for ficar na cidade, incluindo também Machu Picchu. Contratamos somente o Vale Sagrado, que custou s/ 40,00 por pessoa (incluindo o almoço). É possível percorrer o Vale sagrado por conta própria também, de ônibus coletivo, taxi, ou até mesmo de bicicleta. É possível, inclusive, ir visitando cada vila em dois ou mais dias e pernoitar nas pousadas pelo caminho, conhecendo com calma cada ponto turístico do vale.  Como só tínhamos este único dia disponível, combinado com o deslocamento à Águas Calientes e Machu Picchu, o passeio guiado foi a nossa melhor opção.

Roteiro Vale Sagrado
Partimos de Cusco lá pelas 9:00 h. No nosso grupo estavam alguns brasileiros e peruanos. A primeira parada foi na estrada, para admirarmos a vista do começo do Vale no mirador de Taray. Na verdade o ônibus para também em alguns locais de venda de artesanatos no caminho, isso para que você compre e eles ganhem comissão dos vendedores. Os preços destes pontos de venda geralmente são maiores do que você vai encontrar no centro de Cusco, então nossa dica é de deixar pra ver artesanatos e lembrancinhas em Cusco mesmo.

Mirador de Taray


Na sequência seguimos até Pisac, onde vimos as ruínas dos terraços agricultáveis Incas, que ficam em uma encosta íngreme. Impressionante como eles conseguiram transformar uma terra de difícil acesso em um local de produção farta de alimentos. Pisac, assim como outras cidades Incas do Vale sagrado, também servia como um ponto fortificado de vigilância e descanso dos viajantes que circulavam pelo império. Nas encostas de Pisac também há um cemitério, porém as múmias que ali se encontravam não estão mais lá, foram saqueadas. O guia do tour vai explicando cada detalhe do local e depois você tem um tempo livre para dar caminhar e fotografar. 


Sítio Arqueológico de Pisac

Terraços agrícolas, em Pisac

Ruínas de Pisac

Construções de Pisac
Explorando as ruínas de um dos sítios arqueológicos do Vale Sagrado


Para ter acesso ao sítio arqueológico é necessário ter o adquirido o boleto turístico, comprado antecipadamente e à parte do passeio do Vale Sagrado (ver postagem "Os templos e ruínas nos arredores de Cusco"). Após  conhecer as ruínas de Pisac, descemos até a sede do vilarejo, com o mesmo nome. Hoje Pisac vive do turismo e da agricultura. Neste povoado há algumas fábricas artesanais de joias de prata.


Terraços e povoado de Pisac
Seguimos viajem até o restaurante, um pouco adiante de Pisac. O almoço estava incluso no pacote. Almoçamos em um buffet livre, no restante do Peru não havíamos encontrado nenhum restaurante com este serviço, todos eram tipo "à la carte". Na região de Cusco, estes restaurantes são mais comuns devido a grande presença de brasileiros. Na sequencia, seguimos em direção à Ollataytambo. Nestas alturas começou a chover e foi necessário vestir capas de chuva para subir até às ruínas. No topo da colina de Ollantaytambo o esforço é recompensado com uma vista maravilhosa da vila, das montanhas e do fundo do vale. O guia foi explicando sobre o local , suas construções de pedra e seu significado para a cultura Inca. Os terraços de Ollantaytambo são menores que os de Pisac, porém estavam muito mais conservados. No topo da montanha existem algumas pedras gigantes, entalhadas e e encaixadas perfeitamente, formando um ícone cerimonial Inca. Na montanha à frente, uma imagem na rocha lembra um rosto humano.


Sítio Arqueológico de Ollantaytambo
Vilarejo de Ollantaytambo

Após a visita de Ollantaytambo, nós ficamos na vila mesmo enquanto o restante do grupo seguiu o passeio até Chinchero. O trem até águas Calientes sairia da estação de Ollantaytambo, então deixamos de fazer a visita de Chinchero, que era a última do tour e não voltamos com o restante do grupo à Cusco. Com esta logística ganhamos um dia na viagem, combinando o passeio do Vale Sagrado com o deslocamento até Águas Calientes. Outros dois casais de brasileiros do grupo fizeram a mesma coisa que a gente e também ficaram em Ollantaytambo conosco.  O combinado era que o ônibus nos deixasse na estação de trem, que ficava cerca de 1,5 km da vila de Ollantaytambo, porém o motorista começou a discutir com o guia dizendo que não iria na estação pois estava atrasado e o ônibus precisava seguir viagem, pois afinal, já eram quatro e meia da tarde. O guia até tentou insistir, mas nitidamente o ônibus era subcontratado da agência. Não foi o combinado, mas como nosso trem sairia às 17:00 h, tivemos que sair correndo, pegar "mototaxi" para chegar a tempo à estação (ver postagem "Mototaxi Peruano" ...). Nestas horas o importante é garantir os horários e deixar as discussões de lado.  Pagamos 4 soles pela corrida "tuc-tuc" e chegamos à tempo de pegar o trem com folga. As passagens de trem já haviam sido compradas com antecedência. Assim seguimos por cerca de 1 hora e meia de trem até chegarmos no início da noite ao povoado de Águas Calientes. Não foi difícil encontrarmos um hostel com boas condições e preço acessível para ficarmos. Mais um dia intenso da viagem chegava ao fim. Esse, com uma ansiedade e expectativa ainda maior, pois estávamos a poucas horas de conhecer Machu Picchu. 





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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Visitando o grandioso templo de Abu Simbel construído pelo faraó Ramsés II (07º Dia)




Uma obra faraônica, literalmente! E olha que não estamos falando somente da construção do grande templo de Abu-Simbel, no sul do Egito, fronteira com o Sudão. Tampouco das quatro estatuas colossais de Ramsés II, o faraó que mandou construir o local por volta de 1284 A.C, posicionadas em sua fachada. O que pode ser considerado um dos maiores feitos da engenharia para a época foi o reassentamento deste incrível templo ocorrido na década de 60, coordenado pela UNESCO. Isso mesmo, a montanha foi "fatiada" e transportada 210 metros para trás e 65 metros acima do seu local original. Uma grande realização da engenharia moderna. Toda essa operação incrível foi para salvar o local da eminente inundação que ocorreria ao final da construção da represa de Aswan e da formação do Lago Nasser.
A grandiosidade do Templo de Abu Simbel

Lago Nasser

O Egito precisava de uma represa para controlar as cheias do Rio Nilo, tão importantes na antiguidade para fertilizar as margens agricultáveis do rio mas que já se tornavam um problema para as cidades estabelecidas ao longo do curso do Nilo. Outro benefício que a obra traria era uma usina hidroelétrica, necessária para o desenvolvimento do país. Porém o custo pago pela modernidade seria alto para o acervo arqueológico: dezenas de templos e estatuas seriam encobertos pela água, milênios de história perdidos... Foi aí que a UNESCO iniciou uma campanha a nível mundial para salvar alguns destas jóias do antigo Egito, dentre elas o Templo de Ramsés II e um segundo templo dedicado a sua esposa Nefertari. Outros templos e peças também foram recuperados na região, porém foram doados para importantes museus espalhados pelo mundo todo. Toda esta introdução foi para descrever o qual incrível que era esse lugar e toda a nossa expectativa para conhecê-lo naquele dia de primavera do mês de abril, o 7° dia da nossa viagem ao Egito! Acordamos por volta das 2:30 da manhã no Hotel Memnon, em Aswan. Ficou combinado que um carro iria nos apanhar no hotel às 3:00 h para nos conduzir até o ponto de partida do comboio para Abu Simbel, cerca de 300 km da cidade de Aswan. Como o local é muito distante, isolado e a viagem toda é pelo meio do deserto, todos os grupos saem juntos escoltados pela polícia em um comboio. Essa é a versão dos guias turísticos e da polícia, porém a verdade é que existe um risco muito grande de ataques terroristas contra turistas, principalmente por  parte de grupos radicais sudaneses vizinhos . Em 1997, 60 turistas foram assassinados no templo de Hatsetshup em Luxor, Depois disso vários outros pequenos ataques foram registrados ao longo dos anos pelo sul do Egito. Neste caso uma escolta é muito bem vinda! Existe até um "cuidado" especial se você for americano, Quando as vans e carros das agências se posicionam na fila do comboio com os turistas, um agente passa cadastrando as nacionalidades dos passageiros que farão a viagem. Se tiver algum americano dentro a segurança é reforçada para aquele veículo. Na nossa van estavam uma australiana, uma chinesa, um paquistanês e nós, brasileiros. Logo, não tivemos tratamento diferenciado. Como já mencionamos nas postagens anteriores, poucos turistas viajavam pelo país naquela época devido aos reflexos da violenta primavera árabe que ocorrera alguns anos atrás. Para um destino exótico e isolado como Abu Simbel então, menos turistas ainda... Saímos com o comboio por volta das 4:00 h daquela madrugada, logo a cidade ficou para trás e a escuridão do deserto  nos acompanhou por um bom trecho ainda. Conseguimos dormir um pouco, quando acordamos, um deserto gigantesco visto por todos os lados janela da van e a estrada asfaltada, em boas condições,  por onde seguíamos. Por volta da 09:00 h chegamos à Abu Simbel. A primeira imagem que se tem ao chegar é a do imenso lago Nasser, com o Sudão ao fundo, porém tudo é deserto. Para entrar no templo é necessário adquirir os ingressos, vendidos lá na hora e pagos somente em espécie.



Mapa de localização de Abu Simbel, extremo sul do Egito


Chegada à Abu Simbel

O templo é fantastico, vale a viagem toda! logo de cara você vê as quatro poderosas estátuas de 25 metros de altura do faraó sentado em seu trono. Uma delas sem a cabeça, perdida em um terremoto. Dentro do templo outras várias estátuas  e os detalhes das paredes totalmente entalhadas com hieroglifos e representações dos feitos do faraó. Ramsés não era nada modesto, fez questão de enfatizar suas supostas vitórias em diversas batalhas como um grande líder que sempre estava a frente do seu exercito em carruagens de gerra .  A mais conhecida destas representações foi a batalha de Kadesh, contra os Hititas, na qual ele foi entalhado nas paredes internas de abu-simbel sobre uma carruagem portando seu arco e flecha posando como grande vencedor. Reza a lenda que ele tinha centenas de esposas e mais de 200 filhos! Mas dentre todas estas mulheres Nefertari foi a que mais se destacou e tinha um lugar especial no coração do Grande faraó, a ponto de receber um templo dedicado a sua pessoa: Templo de Hathor, que fica ao lado do grande templo de Abu Simbel.

Ramsés II
Fachada do Templo de Abu Simbel


Os quatro colossos de Ramsés II do templo de Abu Simbel


Colossos de Ramsés II


Colosso quebrado em terremoto


Templo de Hathor, homenagem de Ramsés II à Nefertari


Estátuas de Ramsés II alternadas com as de Nefertari no templo de Hathor

Templo de Hathor, ao fundo o Templo de Abu Simbel

A parte interna de Abu Simbel é realmente incrível, ainda com suas pinturas, entalhes e estátuas bem preservados, mas o que demonstra bem a magnitude deste lugar é o chamado "Santuário Interno", onde quatro estátuas estão sentadas de frente ao corredor que vem diretamente da porta de entrada do templo. Estas estátuas representam 3 deuses do antigo Egito e o próprio Ramsés como sendo um 4° Deus. Duas vezes ao ano, com o alinhamento solar com a porta do Templo, o rosto de 3 das 4 estátuas era (e ainda é) iluminado por alguns minutos pelo sol. Isso demonstra o quão habilidosos e detalhistas foram os construtores do templo e como os antigos egípcios conheciam de astronomia e outras ciências. Depois de algumas horas visitando os dois templos, iniciamos o retorno à Aswan. Conversamos bastante com o paquistanês e com as duas outras meninas do nosso tour, a ponto de irmos todos a uma lanchonete quando chegamos de volta à cidade. Experimentamos umas comidas típicas do Egito, sob orientação do paquistanês, que falava fluentemente o árabe e conhecia bem a cultura local. Ele ainda fez questão de pagar toda a conta! Voltamos ao hotel no finalzinho da tarde, bastante cansados, mas como já havíamos fechado a conta só pegamos as mochilas e aguardamos na recepção até dar a hora de se deslocar até o aeroporto, para retornar ao Cairo.

Os custos do passeio de Abu Simbel foram de: 
Transporte de Van: Aswan > Abu Simbel > Aswan, contratado no hotel Memnon: 60,00 LE por pessoa
Entradas em Abu Simbel: 65,00 LE por pessoa.


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sábado, 3 de setembro de 2016

Aswan e o passeio de feluca no lendário rio Nilo (06º dia - 02/02)



Chegamos à estação de trem de Aswan no início da tarde. Não havia muitas pessoas abordando os turistas como aconteceu no Cairo e em Luxor. A cidade de Aswan é menor que as outras duas visitadas anteriormente e saímos à pé à procura de um local para se hospedar e para contratar o passeio até Abu-Simbel. Como contamos na postagem anterior, nós não tínhamos nada reservado, somente algumas indicações que pegamos em Luxor. O primeiro hotel era caro demais, o segundo era muito afastado, mas o que nos deixou realmente preocupados naquele momento não foi nem o local para ficar, mas o preço que pediram pelo passeio de Abu-Simbel. No hotel começaram com uma conversa estranha de que devido à baixa quantidade de turistas não havia mais tours em grupos e nós deveríamos contratar um passeio com carro particular, tipo um táxi com o guia. Havíamos pesquisado na internet antes de viajar e as poucas informações compartilhadas sobre Abu-simbel não falavam nada sobre isso. O preço pedido era completamente inviável para nós naquele momento (pediram 750,00 LE para os dois). Achamos estranho e decidimos seguir até o último local da lista. Pedimos informação e foi preciso pegar um táxi pois o hotel era um pouco mais distante. Seguimos de táxi pela margem do Nilo, apreciando a bela paisagem. Diversos navios que fazem a navegação pelo Nilo estavam ancorados na margem. Devido à crise no turismo poucos deles saíam de lá para fazer o famoso cruzeiro pelo rio. O hotel indicado ficava de frente ao rio Nilo, em frente à ilha de Elefantina, porém a entrada era por uma rua atrás bastante suja e obscura. Quem nos atendeu foi uma moça bem simpática que nos mostrou o quarto e também confirmou que conseguiria o passeio para Abu Simbel para o dia seguinte, e o melhor, com o preço dentro das nossas expectativas! Ufa!! Tudo certo, hora de relaxar e dar uma passeada pela margem do lendário rio. Aswan pertencia ao antigo território Núbio, que posteriormente também foi anexado ao antigo Egito. Foi de lá que provavelmente saíram os blocos de pedra para a construção das pirâmides e também as pedras utilizadas nas imensas estátuas e obeliscos de todo o território do antigo Egito. Até hoje uma pedreira ainda expõe lá um imenso obelisco que estava sendo esculpido diretamente na rocha e que foi abandonado, o famoso "obelisco inacabado", que dá uma dimensão do trabalho executado pelos artesãos do antigo Egito. Outra curiosidade da cidade são os barquinhos à vela conhecidos como "felucas" que ainda hoje navegam no Nilo como já faziam a muito tempo atrás. E foi justamente nesta nossa saída a pé para passear na margem do Nilo que um simpático senhor núbio nos ofereceu um passeio de feluca. À princípio isso nem estava em nossos planos, mas ele acabou nos convencendo...

Às margens do Nilo para um passeio de feluca

Feluca, em Aswan


Um amigo núbio


Foi ótimo! Demos uma volta completa na ilha de Elefantina com a feluca deslizando lentamente pelas águas calmas do Nilo. Só o barulho da água e do vento quebrando o silencio. Momento de relaxar depois dos primeiros dias de viagem mais agitados que havíamos passado no Cairo e em Luxor. Hora também de refletir sobre a grandiosidade daquele momento, pois alí estávamos nós, navegando pelas mesmas águas históricas que fizeram o Egito surgir como uma das maiores e mais avançadas civilizações da antiguidade. À memória uma frase lida em um livro de história do ensino fundamental: "Egito, a dádiva do Nilo". Realmente as águas do Nilo deram vida e riqueza a uma terra que ficava em meio a um deserto árido e hostil.  A cada ano o nível das águas ditava o resultado das colheitas definindo se haveria fome ou fartura ao povo: as cheias traziam os sedimentos que tornavam as terras férteis com colheitas abundantes em suas margens, já se o nível das águas não chegasse ao mínimo esperado naquele ano haveria falta de alimentos. Os Egípcios aprenderam a entender o rio e suas variações naturais, e ali mesmo em Aswan, na ilha de Elefantina, construíram o "Nilômetro", uma escadaria que media o nível máximo das águas daquele ano e dava uma previsão das colheitas.


Porta de acesso à escadaria do Nilômetro

Na margem ocidental do Nilo, sobre as colinas do deserto, é possível avistar as ruínas da Necrópole de Aswan (Túmulos dos nobres) juntamente um templo funeral conhecido como Qubbet el-Hawa e o Mausoléu de Aga Khan. Não chegamos a descer do barco para visitar estes locais, mas a visão desde o rio Nilo impressiona  muito.

Túmulo dos Nobres e Qubbet el-Hawa
Mausoléu de Aga Khan

Fizemos uma breve parada na ilha de Kitchener para observar um jardim botânico muito bem cuidado. Nesta ilha, além de plantas exóticas existem muitas aves que descansam sobre as árvores. Nativos núbios oferecem peças de artesanato aos turistas que descem das felucas para conhecer a ilha.

Ilha de Kitchener


Artesanato na ilha de Kitchener

Falando em turismo, Aswan é cheia de grandes hotéis e resorts luxuosos às margens do Nilo. Porém, devido a queda considerável do número de visitantes depois da "primavera árabe", todos estes locais estavam vazios. Um destes hotéis de luxo é o imponente Sofitel Old Cataract Hotel, que já hospedou Winston Churchil e a escritora Ágatha Christie, quando ela escreveu o romance "Morte no Nilo". 


Sofitel Old Cataract

Na mesma margem do rio que esbanja em luxo, vimos também a outra realidade do povo núbio. A baixa quantidade de turista praticamente acabou com a única fonte de renda deste povo: pessoas que vivem da venda de souvenires, passeios de barco, tours pelos templos e ruínas da região. Foi emocionante e ao mesmo tempo de "cortar o coração" quando um menino núbio veio se aproximando do nosso barco desde a margem do rio, remando em uma prancha de madeira, e começou a cantar uma canção núbia. Ao final demos a ele algumas libras e ele voltou contente. Ouvimos de um vendedor de souvenires na ilha de Kitchener: "por favor, compra um pois eu não tenho pra quem vender". O próprio comandante da nossa feluca nos disse que éramos os únicos clientes dele naquele dia.

Vila Núbia
Nossa jornada ao Egito chegava na metade, tudo o que vivenciamos até aquele momento foi fantástico e incrivelmente recompensador. Planejar esta viagem e chegar até este lugar de forma autônoma já foi uma recompensa imensa e aquele passeio de feluca foi como uma celebração deste momento especial que jamais esqueceremos. 

Ilha de Elefantina

Retornamos à margem do rio quando já começara a escurecer. Saímos para fazer um lanche e já retornamos ao hotel para dormir cedo, afinal o dia seguinte seria para fazermos o passeio de Abu-Simbel. Na próxima postagem vamos contar como foi a visita de Abu-Simbel, nosso retorno ao Cairo e alguns imprevistos mais...

Aswan, vista noturna

Despesas do dia:
Taxi da estação de trem até o hotel Memnon: 20,00 LE
Diária do hostel: 130,00 LE (Hotel Memnon, quarto casal)
Transporte de Van: Aswan > Abu Simbel > Aswan, contratado no hotel Memnon para o dia seguinte: 60,00 LE por pessoa
Passeio de Feluca no Nilo: 100,00 LE (cerca de 2 horas, preço para o casal)
Alimentação, lanches e água: 80,00 LE para os dois

* LE: libras egípcias (pounds) - na época desta viagem a cotação que conseguimos no Egito foi de 1 dólar = 7 LE



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