sábado, 26 de julho de 2014

Visitando Petra (parte 01/02)



Quando os Nabateus iniciaram a construção de Petra no século III a.C. certamente não imaginaram que um dia o local seria visitado por milhares de pessoas do mundo inteiro todos os dias. Logo no início da manhã o caminho que começa após a bilheteria do centro de visitantes estava tomado por turistas de várias nacionalidades, todos caminhando em direção ao Siq. Havíamos compramos ingressos para somente um dia (ver postagem  "Quanto custa para visitar Petra"), então precisávamos aproveitar ao máximo e seguir adiante. O sol já estava forte e o calor era intenso, só uma amostra do que ainda estava por vir. Você pode estar perguntando se 1 dia é o suficiente para conhecer Petra. Na verdade nem mesmo em 4 dias alguém conheceria todas as atrações do local, conforme nos falou o dono do hostal em que estávamos hospedados. As atrações são bem espalhadas pelo parque, e é preciso caminhar muito. Em 1 dia é possível fazer as atrações "centrais" e chegar até o "Monastério", que fica a cerca de 7 km da bilheteria, subindo por uma trilha com degraus na montanha. Se você tiver mais tempo disponível vale a pena ficar pelo menos dois dias, neste caso para fazer caminhos mais distantes. As trilhas são todas bem sinalizadas e também é fornecido um mapa na bilheteria. Na sequência vamos descrever as atrações por partes, conforme o mapa da foto abaixo:


Mapa com as atrações de Petra

Da bilheteria até a entrada do Siq


Da bilheteria até a entrada do Siq

Logo após a bilheteria o caminho se inicia por uma estrada de cerca de 800 m, por uma espécie de vale aberto chamado Bab el-Siq. As primeiras construções esculpidas na rocha são os Blocos de Djinn (1) e o Túmulo do Obelisco e Triclínio do Bab el-Siq (2). Esse trecho pode ser feito a cavalo também, mas o melhor é ir a pé para poder observar e tirar fotos tranquilamente. Na volta talvez seja uma boa opção pegar os cavalos, pois você certamente estará exausto de tanto caminhar o dia todo.


Blocos de Djinn

Túmulo do Obelisco e Triclínio do Bab el-Siq


Siq: o desfiladeiro que leva ao "Tesouro"


Entre o ponto 3 e o ponto 8 do mapa fica o Siq, um belíssimo e impressionante desfiladeiro formado pela erosão das rochas. O caminho com cerca de 700 m de distância é bastante estreito em alguns pontos, suas paredes bem altas são na cor avermelhada. O chão foi pavimentado em quase toda a sua extensão. Vários nichos e canais de água esculpidos ao longo das paredes. Aqui também existe um transporte alternativo de charretes para se percorrer até o "Tesouro", mas na nossa opinião também o bom mesmo é ir caminhando e apreciando a beleza do local.


As-Siq (O Desfiladeiro)



Término do Siq



Tesouro: a construção mais conhecida de Petra


Al-Khazneh (O Tesouro)

Conforme avançamos pelo Siq, no final do desfiladeiro surge repentinamente o símbolo de Petra: o Tesouro (7). Famoso no mundo inteiro depois do filme "Indiana Jones e a Última Cruzada", é de longe a mais bela, impressionante e bem executada construção de Petra. Para quem não assistiu ou não lembra do filme, no local Jones encontra o Santo Graal, o cálice que Jesus Cristo teria utilizado na Última Ceia. A riqueza de detalhes e a grandiosidade impressionam a todos. O nome desta edificação é proveniente de uma lenda de que na urna do topo da construção estaria escondido um tesouro. As marcas de bala indicam que já tentaram rompe-la na esperança de que houvesse uma chuva de jóias e riquezas no local.




Após uma vasta sessão de fotos no "Tesouro" era hora de seguir adiante, pois o mapa indicava ainda inúmeras atrações ao longo do caminho. O tom rosado das fotos neste ponto não é efeito de imagem, ocorre porque o arenito das rochas varia do amarelo ocre até o marrom, mas os tons avermelhados são os que se destacam. Vale citar as palavras do poeta britânico Dean Burgen descrevendo o local em seu poema "Petra":

"Uma cidade de um vermelho 
rosado quase tão velha como o próprio tempo".
(Dean Burgen)

Em frente ao Tesouro ficam alguns beduínos oferecendo passeios de camelo, cavalo e até passeios com burros aos turistas. Bem menos insistentes que os vendedores de passeios das Pirâmides do Egito (ver postagem Visitando as Pirâmides de Gizé ), os jordanianos são mais tranquilos para negociar. Como não havíamos andado de camelo ainda em nossa viagem pelo Oriente Médio, decidimos que era hora de experimentar... Por 50,00 dólares fechamos 2 camelos do ponto 8 ao ponto 23 do mapa, cerca de 2 km.



Nossa experiência com os camelos não foi muito boa... como são desconfortáveis à medida que começam a galopar... Junto com a gente iam também os guias beduínos para controlá-los, pois de vez em quando os animais teimavam em dar meia volta e tentar retornar. Este trecho que fizemos de camelo, desde o Tesouro até o museu é o que concentra a maior quantidade de atrativos para ver em Petra. Então decidimos parar nestes locais somente na volta, para poder continuar com a nossa aventura de camelo.

Passeio de camelo em Petra (25,00 USD por pessoa)

Do museu até o "Monastério": subindo a montanha pela trilha de burro


Quando descemos dos camelos, logo chegou outro vendedor para nos oferecer locação de burros para chegarmos até as proximidades do Ad-Deir (O Monastério). À princípio nem sabíamos o que era exatamente esse lugar, mas olhando em nosso livro guia, vimos que era uma atração relevante e que ficava bem distante, mais uns 3 km adiante de onde estávamos. No mapa fornecido na bilheteria, era o ponto 34. Relutantes em aceitar a proposta do vendedor e decididos a seguir à pé até o lugar, por cerca de 10 minutos ficamos sentados em uma pedra escutando as argumentações do dono dos burros... Segundo ele, andar de burro era mais confortável do que andar de camelo. A distância era muito grande. O trecho era com muita subida, ele já estava fazendo um preço bom, e de tanto ele falar, acabamos alugando os burros. Sábia decisão! A trilha sobe por uma montanha cheia de degraus, bastante íngreme. Além disso, o calor já estava muito forte. Definitivamente seria bem desgastante subir todo aquele caminho à pé. Valeu o investimento!

Trajeto de burro em Petra (15,00 USD por pessoa)






Durante a grande subida nos degraus da trilha, muita gente pelo caminho quase vencidas pelo cansaço. Seguimos tranquilos montados nos burros. Em alguns momentos a Estela disse estar com pena dos burros, mas quando perguntei se ela preferia descer e ir a pé pois o que o que pagamos equivalia a uma noite do hotel, continuou firme sobre o animal. Duas crianças seguiram junto para nos guiar e depois voltar com os animais.  


Do ponto onde os meninos nos deixaram havia uma bela vista de todo o percurso que fizemos, mas ainda faltava um pequeno trecho que precisávamos seguir a pé até chegarmos ao Monastério, cerca de 500 m ainda. Hoje sabemos que o caminho feito com os burros possui mais de 800 degraus cortados na pedra.

Vista parcial do trajeto percorrido de burro




A chegada ao Monastério nos surpreendeu... A construção cravada na rocha é bem maior que a do Tesouro. Fica em um local mais aberto, quase no alto da montanha. Neste local havia menos turistas, então deu para ficar apreciando por mais tempo, mais tranquilos para tirar fotos. Paramos em uma sombra para fazer um lanche com a comida trazida na mochila.  Ainda bem que levamos bastante água também, pois o calor e o sol forte castigava. Ao longo de todas as trilhas de Petra existem algumas tendas de venda de bebidas e algumas lanchonetes também, porém os preços são altos. 

Ad-Deir (O Monastério)





Vista da paisagem desértica e do Monastério


Fachada do Monastério

Após o Monastério o caminho ainda segue, porém não consta no mapa. Seguimos ainda por mais alguns metros até o ponto mais alto da trilha. No silêncio do deserto ouvimos o som de algumas cabras descendo a montanha, logo apareceu o pastor que as guiava. 



Continuamos subindo e encontramos algumas oferendas de pedras deixadas pelos visitantes e um pequeno passarinho jordaniano branco e preto. Oferendas similares a estas também vimos quando estivemos no Peru, visitando a região do altiplano andino e ilhas no Lago Titicaca.


Já estávamos cansados, mas nosso anseio por chegar mais além no fez continuar na trilha. A cada passo nos distanciávamos cada vez mais do Monastério e o caminho se tornava ainda mais desafiador.









No topo, uma espetacular vista das montanhas, do deserto que seguia até perder de vista e um pequeno acampamento com a bandeira da Jordânia. Há registro da passagem de pessoas por este deserto desde a pré-história. A mais de 2000 mil anos o povo Nabateu transformou esse local em uma das cidades mais enigmáticas e belas da antiguidade. Todo o esforço para chegar até aquele cume foi recompensado com uma experiência singular de vislumbrar um lugar onde houve a impressionante união da natureza com a criatividade humana. 


continua na postagem Visitando Petra (parte 02/02)


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Um comentário:

  1. Que linda viajem, parabéns...
    A volta foi tranquila, ou melhor dizendo, a descida??

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