domingo, 10 de agosto de 2014

Amantaní: uma noite na "isla más alta del mundo" (13º Dia - 02/02)

A maioria dos mochileiros conhecem o lago Titicaca vindos da Bolívia, a partir da cidade de Copacabana. Primeiro visitando a Isla del Sol e depois continuando até Puno no Peru para uma breve visita às ilhas flutuantes de Uros. O que pouca gente sabe é que no lado peruano do lago também existem ilhas habitadas abertas para visitação, cujos moradores acolhem os turistas em suas próprias casas para viverem uma experiência singular. Um lugar onde pouco mudou desde a época dos Incas. Conheça o turismo vivencial no Lago Titicaca...




Continuando com nossos relatos de viagem, havíamos saído de Puno em um passeio de barco junto com outros turistas para passar uma noite em uma das ilhas do Lago Titicaca. No meio do caminho fizemos uma parada para conhecer uma das impressionantes ilhas flutuantes de Uros (ver postagem Uros: conheça as ilhas flutuantes do lago Titicaca). Quando finalmente chegamos à Ilha Amantani, a cerca de 36 km de Puno, os moradores já nos aguardavam para nos conduzirem às suas casas. O piloto do barco tratou de dividir os turistas com as respectivas famílias da ilha que nos acolheriam. Ele nos escalou, junto com o casal de canadenses para ficarmos na casa dele. A família anfitriã do piloto não falava inglês, o casal de canadenses não falava nada de espanhol. Eu e a Estela conseguíamos nos virar com as duas línguas, então foi até divertido fazermos o papel de "tradutores", as vezes falando, as vezes gesticulando ou apontando para algum objeto... Foi um dia especial, onde convivemos e conhecemos um pouco de duas culturas bastante distintas: a família nativa da ilha e o casal de turistas canadenses.




Seguimos caminhando junto com as mulheres que nos conduziram até a casa delas. O piloto e o filho seguiram com o barco e não ficaram conosco. A ilha é praticamente habitada apenas por mulheres e crianças, pois assim que os homens atingem a maioridade, vão para as cidades vender os produtos produzidos na ilha e regressam apenas uma vez por semana para casa. A casa ficava a uns 300 m do lago, bastante limpa e organizada. Tinha até uma boa estrutura, com quartos separados para receber os turistas. A ilha possui um gerador de eletricidade suficiente apenas para a iluminação das residências. Pelo menos na casa onde ficamos não havia mais nenhum eletrodoméstico, nem mesmo geladeira. O banheiro possuía água encanada, mas devido a um problema na caixa d'agua da comunidade, naquele dia tivemos que pegar água com um balde de um tonel para o uso. Como do nome o passeio já dizia: turismo vivencial. Era esse mesmo o propósito de estarmos lá, sentir como as pessoas vivem no dia a dia de forma simples e distante da tecnologia e conforto a qual estamos acostumados. Nem por isso deixamos de ter um dia muito especial e proveitoso. As mulheres da casa, vestidas com seus trajes típicos, foram preparando o almoço e a gente aproveitou para circular pela propriedade, ver o lago e conversar com os canadenses. O almoço foi servido: primeiro com uma sopa de quinoa e outros vegetais andinos de entrada. Posteriormente o prato principal, que dava pra escolher entre "queso" ou "pescado". Como acompanhamento uma generosa porção de batatas dos mais variados tipos, doces, salgadas, algumas que nunca havíamos visto antes... tudo muito gostoso! Os tipos de batatas que conhecemos hoje, inclusive a "batata inglesa" que é variedade mais consumida, são na verdade originárias desta região ao redor do lago Titicaca. Foram espalhadas no mundo todo depois da conquista dos espanhóis no século 16. Durante o almoço aproveitamos para conhecer um pouco mais o casal de canadenses e também para praticar o nosso inglês com eles. Na parte da tarde fomos conhecer a ilha. Segundo nossa anfitriã Michele, estávamos na "isla más alta del mundo" e não deveríamos deixar de conhecer lá em cima, pois havia uma linda vista do lago. Hoje sabemos que o "lá em cima" é a 4.100 metros de altitude.



Seguimos eu e a Estela, o turista canadense (a esposa dele decidiu ficar na casa), a Micheli carregando seu pequeno filho nas costas e também a irmã mais nova da Micheli. Todos caminhando em ziguezague em direção ao topo. Ziguezagueando porque assim as meninas nos ensinaram. Em subidas e em grandes altitudes essa é a melhor maneira de caminhar. Testem quando estiverem lá! De tempos em tempos parávamos para descansar. O vento era forte e frio, mas o que castigava era mesmo a altitude. Passamos pelo centrinho da comunidade, que possui uma pequena praça e uma igreja. Conforme íamos subindo, as casas ficavam para trás e a paisagem do lago ficava cada vez mais bela e surpreendente. Passamos por alguns pórticos de pedra pela trilha. Algumas pessoas estavam trabalhando nas lavouras ao longo do percurso, mas é o turismo e a venda de artesanato pelas mulheres a principal ocupação e fonte de renda da ilha. 

Ilha Amantaní, lago Titicaca

Ilha Amantaní, lago Titicaca

O topo da ilha é na verdade formado por duas colinas, nelas existam ruínas de construções incas. Segundo a Micheli, elas eram consideradas santuários de Pachamama e Pachatata, deuses mãe e pai da terra respectivamente conforme a cultura andina. Uma forma dos habitantes agradecerem o que a terra lhes dava e pedirem boas colheitas ao seu povo. A nossa trilha levava a colina de Pachamama, e foi lá que ficamos um bom tempo a admirar a ilha e o lago. 


Ilha de Amantaní

Na trilha da colina de Pachamama, na ilha Amantaní

Vista do povoado de Amantaní
No topo da ilha com nosso colega canadense



O final da tarde foi chegando. Além de nós, vários outros turistas ficaram para admirar o belo espetáculo do por do sol. Aliás mais um belíssimo pôr do sol da viagem, uma combinação de lago, montanha e um lugar especial que ainda preserva sua cultura e costumes como eram a séculos atrás.









Início da noite na ilha Amantaní
Assim que o sol se pôs, tentamos localizar a Micheli e sua irmã, mas não conseguimos encontrá-las. Assim, seguimos com nosso colega canadense em direção à vila. Na descida, escureceu rapidamente e esfriou ainda mais. Levem casaco, gorro, cachecol... qualquer roupa de frio que tiverem para se proteger. Ah! e uma boa lanterna. A nossa pequena de corda não iluminava quase nada e por sorte estávamos com o canadense que tinha uma lanterna com um feixe de luz maior, pois naquela escuridão o grande destaque era o céu estrelado.


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