terça-feira, 15 de novembro de 2016

Visitando o grandioso templo de Abu Simbel construído pelo faraó Ramsés II (07º Dia - 01/02)




Uma obra faraônica, literalmente! E olha que não estamos falando somente da construção do grande templo de Abu-Simbel, no sul do Egito, fronteira com o Sudão. Tampouco das quatro estatuas colossais de Ramsés II, o faraó que mandou construir o local por volta de 1284 A.C, posicionadas em sua fachada. O que pode ser considerado um dos maiores feitos da engenharia para a época foi o reassentamento deste incrível templo ocorrido na década de 60, coordenado pela UNESCO. Isso mesmo, a montanha foi "fatiada" e transportada 210 metros para trás e 65 metros acima do seu local original. Uma grande realização da engenharia moderna. Toda essa operação incrível foi para salvar o local da eminente inundação que ocorreria ao final da construção da represa de Aswan e da formação do Lago Nasser.
A grandiosidade do Templo de Abu Simbel

Lago Nasser

O Egito precisava de uma represa para controlar as cheias do Rio Nilo, tão importantes na antiguidade para fertilizar as margens agricultáveis do rio mas que já se tornavam um problema para as cidades estabelecidas ao longo do curso do Nilo. Outro benefício que a obra traria era uma usina hidroelétrica, necessária para o desenvolvimento do país. Porém o custo pago pela modernidade seria alto para o acervo arqueológico: dezenas de templos e estatuas seriam encobertos pela água, milênios de história perdidos... Foi aí que a UNESCO iniciou uma campanha a nível mundial para salvar alguns destas jóias do antigo Egito, dentre elas o Templo de Ramsés II e um segundo templo dedicado a sua esposa Nefertari. Outros templos e peças também foram recuperados na região, porém foram doados para importantes museus espalhados pelo mundo todo. Toda esta introdução foi para descrever o qual incrível que era esse lugar e toda a nossa expectativa para conhecê-lo naquele dia de primavera do mês de abril, o 7° dia da nossa viagem ao Egito! Acordamos por volta das 2:30 da manhã no Hotel Memnon, em Aswan. Ficou combinado que um carro iria nos apanhar no hotel às 3:00 h para nos conduzir até o ponto de partida do comboio para Abu Simbel, cerca de 300 km da cidade de Aswan. Como o local é muito distante, isolado e a viagem toda é pelo meio do deserto, todos os grupos saem juntos escoltados pela polícia em um comboio. Essa é a versão dos guias turísticos e da polícia, porém a verdade é que existe um risco muito grande de ataques terroristas contra turistas, principalmente por  parte de grupos radicais sudaneses vizinhos . Em 1997, 60 turistas foram assassinados no templo de Hatsetshup em Luxor, Depois disso vários outros pequenos ataques foram registrados ao longo dos anos pelo sul do Egito. Neste caso uma escolta é muito bem vinda! Existe até um "cuidado" especial se você for americano, Quando as vans e carros das agências se posicionam na fila do comboio com os turistas, um agente passa cadastrando as nacionalidades dos passageiros que farão a viagem. Se tiver algum americano dentro a segurança é reforçada para aquele veículo. Na nossa van estavam uma australiana, uma chinesa, um paquistanês e nós, brasileiros. Logo, não tivemos tratamento diferenciado. Como já mencionamos nas postagens anteriores, poucos turistas viajavam pelo país naquela época devido aos reflexos da violenta primavera árabe que ocorrera alguns anos atrás. Para um destino exótico e isolado como Abu Simbel então, menos turistas ainda... Saímos com o comboio por volta das 4:00 h daquela madrugada, logo a cidade ficou para trás e a escuridão do deserto  nos acompanhou por um bom trecho ainda. Conseguimos dormir um pouco, quando acordamos, um deserto gigantesco visto por todos os lados janela da van e a estrada asfaltada, em boas condições,  por onde seguíamos. Por volta da 09:00 h chegamos à Abu Simbel. A primeira imagem que se tem ao chegar é a do imenso lago Nasser, com o Sudão ao fundo, porém tudo é deserto. Para entrar no templo é necessário adquirir os ingressos, vendidos lá na hora e pagos somente em espécie.



Mapa de localização de Abu Simbel, extremo sul do Egito


Chegada à Abu Simbel

O templo é fantastico, vale a viagem toda! logo de cara você vê as quatro poderosas estátuas de 25 metros de altura do faraó sentado em seu trono. Uma delas sem a cabeça, perdida em um terremoto. Dentro do templo outras várias estátuas  e os detalhes das paredes totalmente entalhadas com hieroglifos e representações dos feitos do faraó. Ramsés não era nada modesto, fez questão de enfatizar suas supostas vitórias em diversas batalhas como um grande líder que sempre estava a frente do seu exercito em carruagens de gerra .  A mais conhecida destas representações foi a batalha de Kadesh, contra os Hititas, na qual ele foi entalhado nas paredes internas de abu-simbel sobre uma carruagem portando seu arco e flecha posando como grande vencedor. Reza a lenda que ele tinha centenas de esposas e mais de 200 filhos! Mas dentre todas estas mulheres Nefertari foi a que mais se destacou e tinha um lugar especial no coração do Grande faraó, a ponto de receber um templo dedicado a sua pessoa: Templo de Hathor, que fica ao lado do grande templo de Abu Simbel.

Ramsés II
Fachada do Templo de Abu Simbel


Os quatro colossos de Ramsés II do templo de Abu Simbel


Colossos de Ramsés II


Colosso quebrado em terremoto


Templo de Hathor, homenagem de Ramsés II à Nefertari


Estátuas de Ramsés II alternadas com as de Nefertari no templo de Hathor

Templo de Hathor, ao fundo o Templo de Abu Simbel

A parte interna de Abu Simbel é realmente incrível, ainda com suas pinturas, entalhes e estátuas bem preservados, mas o que demonstra bem a magnitude deste lugar é o chamado "Santuário Interno", onde quatro estátuas estão sentadas de frente ao corredor que vem diretamente da porta de entrada do templo. Estas estátuas representam 3 deuses do antigo Egito e o próprio Ramsés como sendo um 4° Deus. Duas vezes ao ano, com o alinhamento solar com a porta do Templo, o rosto de 3 das 4 estátuas era (e ainda é) iluminado por alguns minutos pelo sol. Isso demonstra o quão habilidosos e detalhistas foram os construtores do templo e como os antigos egípcios conheciam de astronomia e outras ciências. Depois de algumas horas visitando os dois templos, iniciamos o retorno à Aswan. Conversamos bastante com o paquistanês e com as duas outras meninas do nosso tour, a ponto de irmos todos a uma lanchonete quando chegamos de volta à cidade. Experimentamos umas comidas típicas do Egito, sob orientação do paquistanês, que falava fluentemente o árabe e conhecia bem a cultura local. Ele ainda fez questão de pagar toda a conta! Voltamos ao hotel no finalzinho da tarde, bastante cansados, mas como já havíamos fechado a conta só pegamos as mochilas e aguardamos na recepção até dar a hora de se deslocar até o aeroporto, para retornar ao Cairo.

Os custos do passeio de Abu Simbel foram de: 
Transporte de Van: Aswan > Abu Simbel > Aswan, contratado no hotel Memnon: 60,00 LE por pessoa
Entradas em Abu Simbel: 65,00 LE por pessoa.

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sábado, 3 de setembro de 2016

Aswan e o passeio de feluca no lendário rio Nilo (06º dia - 02/02)



Chegamos à estação de trem de Aswan no início da tarde. Não havia muitas pessoas abordando os turistas como aconteceu no Cairo e em Luxor. A cidade de Aswan é menor que as outras duas visitadas anteriormente e saímos à pé à procura de um local para se hospedar e para contratar o passeio até Abu-Simbel. Como contamos na postagem anterior, nós não tínhamos nada reservado, somente algumas indicações que pegamos em Luxor. O primeiro hotel era caro demais, o segundo era muito afastado, mas o que nos deixou realmente preocupados naquele momento não foi nem o local para ficar, mas o preço que pediram pelo passeio de Abu-Simbel. No hotel começaram com uma conversa estranha de que devido à baixa quantidade de turistas não havia mais tours em grupos e nós deveríamos contratar um passeio com carro particular, tipo um táxi com o guia. Havíamos pesquisado na internet antes de viajar e as poucas informações compartilhadas sobre Abu-simbel não falavam nada sobre isso. O preço pedido era completamente inviável para nós naquele momento (pediram 750,00 LE para os dois). Achamos estranho e decidimos seguir até o último local da lista. Pedimos informação e foi preciso pegar um táxi pois o hotel era um pouco mais distante. Seguimos de táxi pela margem do Nilo, apreciando a bela paisagem. Diversos navios que fazem a navegação pelo Nilo estavam ancorados na margem. Devido à crise no turismo poucos deles saíam de lá para fazer o famoso cruzeiro pelo rio. O hotel indicado ficava de frente ao rio Nilo, em frente à ilha de Elefantina, porém a entrada era por uma rua atrás bastante suja e obscura. Quem nos atendeu foi uma moça bem simpática que nos mostrou o quarto e também confirmou que conseguiria o passeio para Abu Simbel para o dia seguinte, e o melhor, com o preço dentro das nossas expectativas! Ufa!! Tudo certo, hora de relaxar e dar uma passeada pela margem do lendário rio. Aswan pertencia ao antigo território Núbio, que posteriormente também foi anexado ao antigo Egito. Foi de lá que provavelmente saíram os blocos de pedra para a construção das pirâmides e também as pedras utilizadas nas imensas estátuas e obeliscos de todo o território do antigo Egito. Até hoje uma pedreira ainda expõe lá um imenso obelisco que estava sendo esculpido diretamente na rocha e que foi abandonado, o famoso "obelisco inacabado", que dá uma dimensão do trabalho executado pelos artesãos do antigo Egito. Outra curiosidade da cidade são os barquinhos à vela conhecidos como "felucas" que ainda hoje navegam no Nilo como já faziam a muito tempo atrás. E foi justamente nesta nossa saída a pé para passear na margem do Nilo que um simpático senhor núbio nos ofereceu um passeio de feluca. À princípio isso nem estava em nossos planos, mas ele acabou nos convencendo...

Às margens do Nilo para um passeio de feluca

Feluca, em Aswan


Um amigo núbio


Foi ótimo! Demos uma volta completa na ilha de Elefantina com a feluca deslizando lentamente pelas águas calmas do Nilo. Só o barulho da água e do vento quebrando o silencio. Momento de relaxar depois dos primeiros dias de viagem mais agitados que havíamos passado no Cairo e em Luxor. Hora também de refletir sobre a grandiosidade daquele momento, pois alí estávamos nós, navegando pelas mesmas águas históricas que fizeram o Egito surgir como uma das maiores e mais avançadas civilizações da antiguidade. À memória uma frase lida em um livro de história do ensino fundamental: "Egito, a dádiva do Nilo". Realmente as águas do Nilo deram vida e riqueza a uma terra que ficava em meio a um deserto árido e hostil.  A cada ano o nível das águas ditava o resultado das colheitas definindo se haveria fome ou fartura ao povo: as cheias traziam os sedimentos que tornavam as terras férteis com colheitas abundantes em suas margens, já se o nível das águas não chegasse ao mínimo esperado naquele ano haveria falta de alimentos. Os Egípcios aprenderam a entender o rio e suas variações naturais, e ali mesmo em Aswan, na ilha de Elefantina, construíram o "Nilômetro", uma escadaria que media o nível máximo das águas daquele ano e dava uma previsão das colheitas.


Porta de acesso à escadaria do Nilômetro

Na margem ocidental do Nilo, sobre as colinas do deserto, é possível avistar as ruínas da Necrópole de Aswan (Túmulos dos nobres) juntamente um templo funeral conhecido como Qubbet el-Hawa e o Mausoléu de Aga Khan. Não chegamos a descer do barco para visitar estes locais, mas a visão desde o rio Nilo impressiona  muito.

Túmulo dos Nobres e Qubbet el-Hawa
Mausoléu de Aga Khan

Fizemos uma breve parada na ilha de Kitchener para observar um jardim botânico muito bem cuidado. Nesta ilha, além de plantas exóticas existem muitas aves que descansam sobre as árvores. Nativos núbios oferecem peças de artesanato aos turistas que descem das felucas para conhecer a ilha.

Ilha de Kitchener


Artesanato na ilha de Kitchener

Falando em turismo, Aswan é cheia de grandes hotéis e resorts luxuosos às margens do Nilo. Porém, devido a queda considerável do número de visitantes depois da "primavera árabe", todos estes locais estavam vazios. Um destes hotéis de luxo é o imponente Sofitel Old Cataract Hotel, que já hospedou Winston Churchil e a escritora Ágatha Christie, quando ela escreveu o romance "Morte no Nilo". 


Sofitel Old Cataract

Na mesma margem do rio que esbanja em luxo, vimos também a outra realidade do povo núbio. A baixa quantidade de turista praticamente acabou com a única fonte de renda deste povo: pessoas que vivem da venda de souvenires, passeios de barco, tours pelos templos e ruínas da região. Foi emocionante e ao mesmo tempo de "cortar o coração" quando um menino núbio veio se aproximando do nosso barco desde a margem do rio, remando em uma prancha de madeira, e começou a cantar uma canção núbia. Ao final demos a ele algumas libras e ele voltou contente. Ouvimos de um vendedor de souvenires na ilha de Kitchener: "por favor, compra um pois eu não tenho pra quem vender". O próprio comandante da nossa feluca nos disse que éramos os únicos clientes dele naquele dia.

Vila Núbia
Nossa jornada ao Egito chegava na metade, tudo o que vivenciamos até aquele momento foi fantástico e incrivelmente recompensador. Planejar esta viagem e chegar até este lugar de forma autônoma já foi uma recompensa imensa e aquele passeio de feluca foi como uma celebração deste momento especial que jamais esqueceremos. 

Ilha de Elefantina

Retornamos à margem do rio quando já começara a escurecer. Saímos para fazer um lanche e já retornamos ao hotel para dormir cedo, afinal o dia seguinte seria para fazermos o passeio de Abu-Simbel. Na próxima postagem vamos contar como foi a visita de Abu-Simbel, nosso retorno ao Cairo e alguns imprevistos mais...

Aswan, vista noturna

Despesas do dia:
Taxi da estação de trem até o hotel Memnon: 20,00 LE
Diária do hostel: 130,00 LE (Hotel Memnon, quarto casal)
Transporte de Van: Aswan > Abu Simbel > Aswan, contratado no hotel Memnon para o dia seguinte: 60,00 LE por pessoa
Passeio de Feluca no Nilo: 100,00 LE (cerca de 2 horas, preço para o casal)
Alimentação, lanches e água: 80,00 LE para os dois

* LE: libras egípcias (pounds) - na época desta viagem a cotação que conseguimos no Egito foi de 1 dólar = 7 LE



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domingo, 3 de julho de 2016

Viagem de trem de Luxor à Aswan (06° dia - 01/02)



Após dois dias em Luxor nossa programação era seguir até Aswan, extremo sul do Egito, cidade base para quem quer visitar os templos de Abu Simbel. No final da tarde, quando retornamos do passeio da Necropole de Tebas (ver postagem Necrópole de Tebas - visitando a tumba do Faraó Tutancâmon e o Templo de Hatshepsut (05° dia - 02/02)), fui direto à estação de trem para adquirir os bilhetes para o deslocamento do dia seguinte. A estação fica bem perto do centro e eu segui caminhando desde o hostal, porém o lugar não é nada fácil para um simples turista estrangeiro se virar sozinho. Primeiro tentei explicar que eu queria passagens para o dia seguinte e não para o mesmo dia, depois que eu queria ir para Aswan em qualquer trem que fosse pra lá, mas não teve jeito, não quiseram me vender as passagens... Na verdade eu pensei que ia encontrar pelo menos uma tabela com os horários e os destinos, em inglês, atendentes preparados para explicar e tirar as dúvidas, ou até mesmo outros turistas pra conversar e trocar informações, mas definitivamente não havia nada disso. Existe uma espécie de "divisão" entre os trens  para pessoas locais e trens de serviço turístico, que são mais caros e mais escassos. As informações são bastante desencontradas, nem mesmo os atendentes e muito menos os sites e guias de viagem sobre o Egito sabem ao certo sobre a programação destes trens, pois tudo pode mudar de uma semana para outra. Geralmente eles não vendem bilhetes dos trens comuns para os turistas no Egito, já tinha lido sobre isso em algum lugar. Então eu vi que na frente da estação de trem existia um escritório de informações turísticas e fui até lá perguntar sobre os trens para Aswan. A atendente me deu um papel com os horários e disse que era só chegar no dia seguinte e comprar na hora mesmo e que eu poderia utilizar qualquer trem que fosse pra lá. Voltei ao hostal com uma preocupação muito grande: e se não desse certo?! Como a iríamos até Aswan? E se não chegássemos para pelo menos pegar o voo de volta ao Cairo? Tínhamos passagens de avião do aeroporto de Aswan para retornar para o Cairo. Uma das poucas coisas que havíamos feito ainda quando estávamos no Brasil foi a aquisição dessas passagens. Para nossa sorte existia o Tarek! Não sei se já comentamos aqui no blog anteriormente, mas o hostal Sherief Bob Marley conta com um staf incrivelmente prestativo e acolhedor. O Tarek foi quem nos ajudou muito desde o primeiro dia em Luxor. Sem ele não conseguiríamos sequer pegar a van para o templo de Karnak. Luxor é uma cidade muito confusa e difícil para estrangeiros e ele foi como um irmão para nós. Ao saber que eu não consegui as passagens de trem ele fez questão de voltar lá na estação comigo. Em poucos minutos saiu do guichê com os dois tikets em mãos para as 09:00 h do dia seguinte. Trem local e barato. Apenas 25 libras egípcias cada passagem (em torno de USD 3,60). Nosso deslocamento estava garantido! O Tarek é uma espécie de anjo da guarda de quem se hospeda no Sherief. Quer saber como fazer um passeio por conta própria? O Tarek explica. Quer comprar um chip de celular pra acessar a internet 3G? Ele te leva na loja. Quer saber onde tem aquele restaurante bom e barato em Luxor? É só perguntar a ele. Não é a toa que o espaço de café do hostal está cheio de mensagens nos paredes de agradecimentos ao Tarek. Antes de sairmos do hostal no dia seguinte deixamos também a nossa mensagem na porta da geladeira e nos despedimos da equipe do hostal. Provavelmente nossa mensagem ao Tarek ainda está lá (se alguém for pra lá confirmem isso pra gente, hehe). Chegamos cedo à estação. O lugar estava bem tranquilo até o nosso trem chegar... De repente uma multidão surge na plataforma de embarque se misturando à outra multidão que que saia dos vagões. Os nossos bilhetes até tinham um número do vagão e das poltronas, mas o problema é que os vagões só tinham identificação em árabe. Estávamos no meio daquela multidão atordoados, tentando descobrir em qual vagão entrar. E eis que um rosto conhecido aparece, verifica para nossos bilhetes e nos direciona para entrar em um dos vagões. Era o Tarek!!! Deve ter imaginado que isso podia acontecer e foi até a estação para nos deixar sentando nas poltronas em que deveríamos seguir até Aswan. Foi uma imensa demostração de como as pessoas no Egito são acolhedoras e prestativas. Nos despedimos dele com a certeza de que um amigo muito especial ficou naquela cidade! Depois que o trem partiu tudo ficou mais tranquilo. Ficamos apreciando a paisagem bucólica dos campos verdes de cultivo às margens do Nilo. Alguns camponeses trabalhando na terra ainda de forma bastante artesanal, pastores guiando rebanhos, mesquitas, pequenos vilarejos, casinhas bem simples e bem distantes de tudo. Após 3 horas de viagem chegamos à Aswan. 


Percurso Luxor à Aswan (aproximadamente 240 km)

Camponeses em algum lugar entre Luxor e Aswan

Vilarejo em algum lugar entre Luxor e Aswan

Lavoura em algum lugar entre Luxor e Aswan

Estação de trem em Aswan

Saímos da estação em busca de um lugar pra se hospedar, tínhamos alguns nomes anotados mas nada definido. Também precisávamos fechar o passeio com alguma agência local até Abu Simbel, mas isso vamos contar na próxima postagem.



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sábado, 9 de janeiro de 2016

Como chegar à Jerusalém pela fronteira terrestre em Eilat

História e religião se misturam neste lugar muito importante para as três principais religiões monoteístas do mundo. Jerusalém é a cidade mais visitada de Israel em razão dos seus locais históricos considerados sagrados para cristãos, judeus e muçulmanos. Para quem gosta de história, por todo o território já ocorreram invasões, destruições de cidades e templos, disputas entre vizinhos que remontam a antiguidade e até hoje são motivo de discórdias entre israelenses e palestinos.



Após passar 10 dias circulando por praticamente todo o  Egito, três dias visitando o sul da Jordânia e algumas idas e vindas pelas fronteiras terrestres que ligam os três países na cidade israelense de Eilat, finalmente iniciamos nossa visita à Terra Santa. Partimos do acampamento do deserto de Wadi Rum na Jordânia pela manhã.  Dividimos um táxi com um mochileiro japonês e por volta das 10 horas da manhã já havíamos chegado à fronteira de Eilat / Aqaba. Da fronteira até o terminal rodoviário é necessário pegar um táxi. É também muito fácil encontrar outras pessoas que queiram dividir o transporte.

Custos (abril/ 2014):
Táxi do lado jordaniano: de Wadi Rum até a fronteira Aqaba / Eilat: 25,00 DIN (~ 37,00 USD)
Taxa de saída da Jordânia via fronteira terrestre de Aqaba: 10,00 DIN por pessoa ( ~ 15,00 USD)
Táxi no lado Israelense: da fronteira Aqaba / Eilat até o terminal rodoviário de Eilat: 55,00 ILS (~ 16 ,00 USD)



Fronteira Jordânia - Israel, cidade de Aqaba

Posto de fronteira de Eilat (Israel / Jordânia)

Reentrada em Israel pela cidade de Eilat


A primeira percepção ao entrar em Israel é de que o país é bastante desenvolvido e moderno. Se comparado aos seus vizinhos com quem faz fronteira, a diferença é extrema! Isso não só pela modernidade, como também pelas diferenças culturais, religiosas, poderio militar. Quando nós entramos em Israel vindos do Egito, através da fronteira  terrestre de Taba / Eilat, percebemos logo de cara isso (ver postagem Como chegar à Jordânia). No território egípcio a religião islâmica impõe uma série de cuidados na vestimenta e no comportamento das pessoas: é proibido o consumo de bebidas alcoólicas, cidades são mais caóticas e não tão bem cuidadas, quase não existiam turistas circulando. Logo ao entrarmos em Eilat vimos uma cidade de praias agitadas, mulheres de biquíni circulando sem pudor pelas ruas e até dentro dos ônibus... Turistas e mais turistas pelas ruas, grandes hotéis de luxo. Isso tudo percorrendo apenas algumas centenas de metros entre a fronteira dos dois países. O tempo todo víamos jovens soldados portando seus fuzis. Mesmo quando estão de folga, cada soldado israelense porta sua arma, prontos para qualquer situação de emergência. Para nós foi bem diferente e inusitado ver isso durante a viagem em lugares comuns, na maior naturalidade, como em lanchonetes, dentro do ônibus, no mercado..



Almoço em Eilat, Israel

Falando em segurança para se viajar por Israel, essa região do mundo sempre aparece nos noticiários devido às constantes disputas armadas, territoriais e religiosas, entre os israelenses e palestinos. Mas não se preocupem quanto a isso, pois existe uma coisa em que os dois lados se entendem muito bem: os turistas. Sim, são os turistas quem levam o dinheiro gasto nas viagem, muito  apreciado por lá e em qualquer lugar do mundo... Como o exercito israelense é bastante preparado, bem equipado e atuante na proteção do país, a gente se sentiu bastante protegido. Em regra, quando há alguma disputa, ela ocorre bem distante dos pontos turísticos, locais não frequentados por estrangeiros ou turistas, como a Faixa de Gaza, por exemplo. Para sair de Eilat e seguir em direção à Jerusalém, cidade que escolhemos como base para todos os passeios feitos em Israel, pegamos um ônibus no terminal rodoviário. O terminal estava lotado, pois aquele dia era o início da semana santa da Páscoa. Para a minoria cristã que vive lá, era um domingo de ramos. Para a maioria judia de Israel era o início de uma semana de feriados em que todo mundo vai viajar para curtir a família ou visitar algum local turístico, descansar, etc. Mesmo com todo o movimento de um início de feriado compramos nossas passagem na hora mesmo, sem problemas. Pagamos 82,00 ILS por pessoa ( ~ 24,00 USD) para uma viagem de cerca de 320 km entre as duas cidades. Pelo caminho, as paisagens áridas do deserto de Negev e uma incrível vista do Mar Morto.

Deserto de Negev, Israel

Mar Morto, Israel
No momento em que estávamos embarcando no ônibus, por coincidência conhecemos dois brasileiros que também estavam indo para Jerusalém: o Bruno e o Célio. Como nós, eles também estavam vindo do sul da Jordânia e haviam passado pelo Egito. Fomos conversando por um bom tempo dentro do ônibus, trocando experiências de viagem... Foram os primeiros brasileiros com quem realmente conversamos em quase 15 dias de viagem. É muito bom encontrar conterrâneos em situações como estas, dá um ânimo  a mais para seguir em frente! Foram 4 horas e meia de viagem, com uma breve parada na metade do caminho para lanche. Este mesmo ônibus, linha 444, é o que passa em Massada e na "praia" de banho do Mar Morto, pontos turísticos que ficam no caminho entre Eilat e Jerusalém, os quais voltaríamos para conhecer nos próximos dias. Chegamos em Jerusalém no começo da noite, demorou alguns minutos para nos localizarmos no mapa da cidade, mas com a ajuda de algumas pessoas seguimos na direção certa. Nosso hostal ficava a cerca de 700 metros do terminal rodoviário.


Chegada à Jerusalém, com Bruno e Célio
Falando em hostal, ainda bem que tínhamos reservado com antecedência, Devido ao feriado a cidade estava lotada de turistas. Ficaríamos sem hospedagem se procurássemos na hora por um local para ficar (ver postagem Dica de hospedagem em Jerusalém). Mais uma etapa da viagem cumprida! O último grande deslocamento, pois o nosso retorno ao Brasil seria do aeroporto de Telaviv. Nas próximas postagens contaremos sobre os dias em Jerusalém e em outras cidades israelenses.

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