terça-feira, 15 de novembro de 2016

Visitando o grandioso templo de Abu Simbel construído pelo faraó Ramsés II (07º Dia)




Uma obra faraônica, literalmente! E olha que não estamos falando somente da construção do grande templo de Abu-Simbel, no sul do Egito, fronteira com o Sudão. Tampouco das quatro estatuas colossais de Ramsés II, o faraó que mandou construir o local por volta de 1284 A.C, posicionadas em sua fachada. O que pode ser considerado um dos maiores feitos da engenharia para a época foi o reassentamento deste incrível templo ocorrido na década de 60, coordenado pela UNESCO. Isso mesmo, a montanha foi "fatiada" e transportada 210 metros para trás e 65 metros acima do seu local original. Uma grande realização da engenharia moderna. Toda essa operação incrível foi para salvar o local da eminente inundação que ocorreria ao final da construção da represa de Aswan e da formação do Lago Nasser.
A grandiosidade do Templo de Abu Simbel

Lago Nasser

O Egito precisava de uma represa para controlar as cheias do Rio Nilo, tão importantes na antiguidade para fertilizar as margens agricultáveis do rio mas que já se tornavam um problema para as cidades estabelecidas ao longo do curso do Nilo. Outro benefício que a obra traria era uma usina hidroelétrica, necessária para o desenvolvimento do país. Porém o custo pago pela modernidade seria alto para o acervo arqueológico: dezenas de templos e estatuas seriam encobertos pela água, milênios de história perdidos... Foi aí que a UNESCO iniciou uma campanha a nível mundial para salvar alguns destas jóias do antigo Egito, dentre elas o Templo de Ramsés II e um segundo templo dedicado a sua esposa Nefertari. Outros templos e peças também foram recuperados na região, porém foram doados para importantes museus espalhados pelo mundo todo. Toda esta introdução foi para descrever o qual incrível que era esse lugar e toda a nossa expectativa para conhecê-lo naquele dia de primavera do mês de abril, o 7° dia da nossa viagem ao Egito! Acordamos por volta das 2:30 da manhã no Hotel Memnon, em Aswan. Ficou combinado que um carro iria nos apanhar no hotel às 3:00 h para nos conduzir até o ponto de partida do comboio para Abu Simbel, cerca de 300 km da cidade de Aswan. Como o local é muito distante, isolado e a viagem toda é pelo meio do deserto, todos os grupos saem juntos escoltados pela polícia em um comboio. Essa é a versão dos guias turísticos e da polícia, porém a verdade é que existe um risco muito grande de ataques terroristas contra turistas, principalmente por  parte de grupos radicais sudaneses vizinhos . Em 1997, 60 turistas foram assassinados no templo de Hatsetshup em Luxor, Depois disso vários outros pequenos ataques foram registrados ao longo dos anos pelo sul do Egito. Neste caso uma escolta é muito bem vinda! Existe até um "cuidado" especial se você for americano, Quando as vans e carros das agências se posicionam na fila do comboio com os turistas, um agente passa cadastrando as nacionalidades dos passageiros que farão a viagem. Se tiver algum americano dentro a segurança é reforçada para aquele veículo. Na nossa van estavam uma australiana, uma chinesa, um paquistanês e nós, brasileiros. Logo, não tivemos tratamento diferenciado. Como já mencionamos nas postagens anteriores, poucos turistas viajavam pelo país naquela época devido aos reflexos da violenta primavera árabe que ocorrera alguns anos atrás. Para um destino exótico e isolado como Abu Simbel então, menos turistas ainda... Saímos com o comboio por volta das 4:00 h daquela madrugada, logo a cidade ficou para trás e a escuridão do deserto  nos acompanhou por um bom trecho ainda. Conseguimos dormir um pouco, quando acordamos, um deserto gigantesco visto por todos os lados janela da van e a estrada asfaltada, em boas condições,  por onde seguíamos. Por volta da 09:00 h chegamos à Abu Simbel. A primeira imagem que se tem ao chegar é a do imenso lago Nasser, com o Sudão ao fundo, porém tudo é deserto. Para entrar no templo é necessário adquirir os ingressos, vendidos lá na hora e pagos somente em espécie.



Mapa de localização de Abu Simbel, extremo sul do Egito


Chegada à Abu Simbel

O templo é fantastico, vale a viagem toda! logo de cara você vê as quatro poderosas estátuas de 25 metros de altura do faraó sentado em seu trono. Uma delas sem a cabeça, perdida em um terremoto. Dentro do templo outras várias estátuas  e os detalhes das paredes totalmente entalhadas com hieroglifos e representações dos feitos do faraó. Ramsés não era nada modesto, fez questão de enfatizar suas supostas vitórias em diversas batalhas como um grande líder que sempre estava a frente do seu exercito em carruagens de gerra .  A mais conhecida destas representações foi a batalha de Kadesh, contra os Hititas, na qual ele foi entalhado nas paredes internas de abu-simbel sobre uma carruagem portando seu arco e flecha posando como grande vencedor. Reza a lenda que ele tinha centenas de esposas e mais de 200 filhos! Mas dentre todas estas mulheres Nefertari foi a que mais se destacou e tinha um lugar especial no coração do Grande faraó, a ponto de receber um templo dedicado a sua pessoa: Templo de Hathor, que fica ao lado do grande templo de Abu Simbel.

Ramsés II
Fachada do Templo de Abu Simbel


Os quatro colossos de Ramsés II do templo de Abu Simbel


Colossos de Ramsés II


Colosso quebrado em terremoto


Templo de Hathor, homenagem de Ramsés II à Nefertari


Estátuas de Ramsés II alternadas com as de Nefertari no templo de Hathor

Templo de Hathor, ao fundo o Templo de Abu Simbel

A parte interna de Abu Simbel é realmente incrível, ainda com suas pinturas, entalhes e estátuas bem preservados, mas o que demonstra bem a magnitude deste lugar é o chamado "Santuário Interno", onde quatro estátuas estão sentadas de frente ao corredor que vem diretamente da porta de entrada do templo. Estas estátuas representam 3 deuses do antigo Egito e o próprio Ramsés como sendo um 4° Deus. Duas vezes ao ano, com o alinhamento solar com a porta do Templo, o rosto de 3 das 4 estátuas era (e ainda é) iluminado por alguns minutos pelo sol. Isso demonstra o quão habilidosos e detalhistas foram os construtores do templo e como os antigos egípcios conheciam de astronomia e outras ciências. Depois de algumas horas visitando os dois templos, iniciamos o retorno à Aswan. Conversamos bastante com o paquistanês e com as duas outras meninas do nosso tour, a ponto de irmos todos a uma lanchonete quando chegamos de volta à cidade. Experimentamos umas comidas típicas do Egito, sob orientação do paquistanês, que falava fluentemente o árabe e conhecia bem a cultura local. Ele ainda fez questão de pagar toda a conta! Voltamos ao hotel no finalzinho da tarde, bastante cansados, mas como já havíamos fechado a conta só pegamos as mochilas e aguardamos na recepção até dar a hora de se deslocar até o aeroporto, para retornar ao Cairo.

Os custos do passeio de Abu Simbel foram de: 
Transporte de Van: Aswan > Abu Simbel > Aswan, contratado no hotel Memnon: 60,00 LE por pessoa
Entradas em Abu Simbel: 65,00 LE por pessoa.


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