domingo, 16 de agosto de 2020

Alexandria, do Egito antigo para o Mundo (8° dia)



"Nada é impossível para aquele que persiste"

           Alexandre O Grande


A inspiração não poderia ser melhor. Uma das cidades mais importantes do mundo antigo, que transbordava conhecimento através da filosofia, ciências, astronomia, história e arte. Em sua antiga e famosa biblioteca se concentrava um vasto acervo com manuscritos de diversos povos e civilizações do mundo todo. O nome da cidade remete a Alexandre O Grande, que a fundou em 332 a.C. Sem dúvida, um dos maiores conquistadores de todos os tempos.
A nossa viagem ao Egito entrara em uma nova fase,  saímos um pouco do circuito dos grandes templos e necrópoles do sul do país para conhecer a exótica Alexandria, uma transição do antigo Egito para uma uma história um pouco mais recente, com influência de outros povos que ali passaram e a conquistaram, como os romanos e helenos. E foi com muita determinação e persistência que superamos os desafios desta nova jornada. Primeiramente para chegar até lá, pela primeira vez pegamos um ônibus intermunicipal partindo da caótica Cairo. Ao chegarmos ao aeroporto do Cairo, vindos de Aswan, na madrugada do dia 07/04/2014, tínhamos duas opções: aguardar ali mesmo no aeroporto até às 06:00 da manhã e pegar um ônibus que partiria do próprio aeroporto (existe uma espécie de terminal rodoviário bem próximo ao aeroporto, com ligação através do shuttle bus que transita entre os terminais do aeroporto da capital do Egito), ou ir para um hotel, descansar algumas horas e sair cedo também para encontrar o terminal de saída do ônibus no centro do Cairo. Mesmo sendo um pouco mais cansativa, decidimos pela primeira opção.
Demoramos umas 3 horas para fazer o percurso de 240 Km que separa as duas cidades. No caminho transito intenso de caminhões, estrada asfaltada em boas condições e vários postos de controle do exército, onde alguns soldados ficam de prontidão atrás de barricadas com as armas apontadas para a pista. Chegamos em uma espécie de terminal rodoviário de Alexandria, meio afastado da área central. Pedimos informação para uns passageiros do ônibus, que nos ajudaram a pegar um taxi e nos informaram onde deveríamos descer para encontrar um hotel pra ficar. Não tínhamos nada reservado, sequer uma indicação, nada... O taxista, orientado pelos nossos colegas do ônibus, nos deixou em uma avenida de frente ao Mar Mediterrâneo, região um pouco mais organizada e limpa com alguns hotéis à beira mar. Descemos do taxi e fomos a procura de um hotel.
Estávamos bem cansados, afinal, dormir nas cadeiras do aeroporto não é nada legal. Além disso, depois de todo o stress que rolou na noite anterior em Aswan, tudo o que precisávamos era uma boa cama pra dormir. Por isso resolvemos elevar um pouco o nível do hotel, comparado aos que já ficamos nos dias anteriores da nossa viagem. Escolhemos um beira mar, com uma bela vista do Mediterrâneo, porém mesmo pagando caro comparado ao nível de hospedagem que vinhamos seguindo até então (cerca de R$ 70,00 a diária na conversão, acreditem, foi quase o dobro dos hostals que estávamos acostumados a nos hospedar...), o quarto era muito ruim... Pelo menos tinha uma vista bem bacana do mediterrâneo da sacada. Só saímos pra dar uma caminhada breve na calçada beira mar e depois retornamos pra descansar e curtir o visual lá de cima. 

Orla do Mar Mediterrâneo em Alexandria


Confesso que aquela sacada dava até medo de cair de tão velho que era o prédio. O quarto então, impressionante como as coisas são ou 8 ou 80, não tem um meio termo. Mas tudo bem, não tivemos nenhum problema em ficar lá. No dia seguinte tomamos um café com direito a alguns feijões e saladas, inclusos na diária. O hotel tinha um funcionário chato que sem cerimônia cobrou gorjeta só pelo fato de se oferecer pra dar informações, eles não tinham o menor problema em cobrar isso, e ainda não gostou muito quando falei que não tinha muito dinheiro, eramos apenas mochileiros... 
Deixamos nossas mochilas maiores na recepção, fechamos a conta e saímos pra conhecer a cidade. Mas isso vou contar na próxima postagem.

Lindo pôr do sol no Mediterrâneo, em Alexandria


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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Lembranças de criança, rumo à África do Sul



Quando eu era criança meu pai nos deu uma enciclopédia ilustrada de capa vermelha. Me lembro de ficar horas folheando aquelas páginas e viajando com a imaginação por aquele mundo de histórias incríveis, civilizações antigas, lugares exóticos, terras distantes com florestas e animais selvagens. Sem querer ele havia despertado na criança que eu era um desejo de conhecer tudo aquilo. De certa forma ele também sempre gostou e se interessou por esse mundo. Professor de ciências e matemática, sempre tinha uma explicação prática quando a gente vinha com aquelas perguntas de criança curiosa, tentando descobrir o porquê das coisas... Foi já naquela época que eu aprendi as primeiras coisas sobre o continente africano. Me lembro bem das gravuras que mostravam um monte de animais correndo livres por lugares incríveis, exóticos. Elefantes, zebras, girafas, hipopótamos, leões e muitos outros que só existiam lá.

O tempo passou e nos últimos anos as coisas mudaram bastante. A Rafaela havia chegado como um presente depois de eu ter conhecido alguns daqueles lugares incríveis que já fizeram parte da imaginação daquela criança curiosa do passado. Eu como pai também queria fazer despertar nela a curiosidade de conhecer o mundo, muito além dos livros. Nada melhor do que uma viagem para isso e a África do Sul surgiu como um destino ideal. Pensei também nos meus pais, por que não fazermos uma viagem juntos? Por que não iniciar com a Rafaela em um lugar incrível, e de quebra ela viajar com os avós? Meu pai aceitou na hora quando eu telefonei para convidá-los, e foi assim que iniciamos os preparativos da viagem.




A viagem ficou definida no momento em que fechei a compra das passagens aéreas, tudo se encaixou perfeitamente ao que precisávamos. A promoção surgiu sendo divulgada pelo site Melhores Destinos, que nos direcionou ao prestador Almundo. Foi lá que efetivamente foi fechada a compra, com as devidas simulações de dias e itinerários. Nos meses seguintes foi o tempo de preparar tudo, pensar na logística, nos deslocamentos, no que fazer, onde ir, como ir, onde ficar, o que levar. Tudo por nossa conta e risco, pois não haveria ninguém lá contratado como guia e nenhum pacote fechado da parte terrestre da viagem. Foi uma intensa pesquisa para deixar tudo bem planejado, e no fim deu tudo muito certo!

O itinerário ficou assim, ida: Curitiba > São Paulo > Joanesburgo > Cidade do Cabo, com uma semana de passeios na Cidade do cabo e arredores. Posteriormente o retorno incluiu um stopover de uma semana em Joanesburgo: Cidade do Cabo > Joanesburgo, pegamos um carro no aeroporto de Joanesburgo e fomos até o parque Kruger e região dos Cânions, no norte do país. Depois retornamos a Joanesburgo para voltar ao Brasil: Joanesburgo > São Paulo > Curitiba.



Quando chegamos à cidade do Cabo, pegamos o nosso carro alugado já no aeroporto, o qual faria parte da viagem durante aquela semana toda.  As diferenças já começaram pelo carro e pelo trânsito, dirigir na mão inglesa não é nada fácil pra quem nunca fez isso antes, como no meu caso... Isso exige uma atenção muito grande, cuidados redobrados em tudo. Inevitavelmente você acaba dando umas mancadas aqui e alí, como ligar o limpador de para brisa quando vai dar seta, se atrapalhar ao virar uma esquina, trocar de marcha com a mão esquerda ao mesmo tempo que precisa se concentrar no transito e no mapa do celular... Felizmente a saída do estacionamento do aeroporto já deu em uma larga rodovia, tudo bem organizado e sinalizado. Seguimos adiante rumo ao centro da cidade.




A primeira impressão do país na cidade do Cabo foi bastante positiva, vimos uma cidade moderna, bem organizada, limpa, e com um visual incrível do mar e das montanhas ao fundo. Claro que ali naquele momento só passamos pela parte turística, mais visível aos olhos dos que vão visitar o país.

De uma maneira geral a África do Sul é muito parecida com o Brasil também com suas desigualdades. Lugares modernos e organizados contrastando com as favelas imensas onde grande parte da população ainda vive precariamente. Já as belezas naturais e os atrativos turísticos do país como um todo são realmente impressionantes: uma riqueza de diversidades de opções, uma costa recortada por cadeias de montanhas, praias, vida marinha e vida selvagem das savanas. Cânions, cachoeiras, a história do seu povo, suas cidades, vilas, sua rica cultura. Pessoas alegres, receptivas, que gostam de roupas coloridas e de música em alto volume. Crianças animadas passeando com a turma da escola, visitando pontos turísticos em meio a pessoas do mundo todo que vão conhecer este maravilhoso país. Vivemos um pouquinho de tudo isso nestes 14 dias lá.


Após uma semana viajando pela região de Cape Town e arredores, conhecendo a Table Mountain, o Cabo da Boa Esperança, um passeio de barco em Hermanus para ver as baleias e uma parada em Stellenbosch para conhecer a região dos vinhedos, seguimos na segunda semana para o ponto alto da viagem: o nosso safari de carro a acampamento no Parque Kruger, mais ao norte do país. Ali de fato ficamos em meio aos animais, vimos eles soltos no seu habitat. O parque permite que você se desloque com seu próprio veículo pelas estradas internas para vê-los. Não é permito sair do veículo em nenhum momento e você deve retornar ao acampamento até às 18:00 h. No acampamento existem cabanas e tendas para se hospedar, tudo bem estruturado e com o cuidado necessário. Nas próximas postagens faremos um relato mais detalhado destas duas semanas de passeios por lá.










Nem precisa falar que a Rafaela adorou cada momento da viagem. Da sua maneira ela interagia como uma grande brincadeira, onde íamos nos mudando de casa em casa em que ficamos hospedados ao longo dos deslocamentos que fizemos. Em cada casa um novo lugar para explorar. Cada refeição preparada com a vó, cada conversa com o vô para perguntar de um lugar, de uma coisa que chamou sua atenção. Ao contrário da gente, para ela muitas vezes um pequeno detalhe um objeto simples tomava mais tempo da sua atenção do que uma paisagem ou uma vista deslumbrante. Umas pedras coloridas e umas poças de água sobre a trilha da montanha prenderam mais tempo da sua atenção do que a vista incrível da cidade e do mar lá em baixo. Vestir um colete salva-vidas e andar de barco, catar conchinhas e desenhar com um galho na areia da praia, uma folha de árvore com formato diferente. A expressão de surpresa e admiração dela ao ver os animais ali na sua frente, querendo mostrar também aos avós. Seu encontro com as crianças africanas que também passeavam nos pontos turísticos e que inevitavelmente despertavam curiosidade e admiração para ambos os lados.



Os meus pais, por outro lado, também expressavam a admiração de estar ali vendo as paisagens, os animais, os lugares diferentes. Detalhes também pouco vistos por eles, como o idioma, as comidas apimentadas, o grande número de turistas de diferentes nacionalidades todos ali interagindo com o mesmo propósito. Até mesmo a minha mãe que relutou até o último momento em aceitar ir, sempre muito preocupada e precavida com tudo, também gostou bastante da viagem. Foi ela quem avistou o único leão que vimos no Kruger, já quando tínhamos perdido as esperanças...

 


E foi assim, durante aquelas duas semanas, fizemos nossa viagem por essa terra maravilhosa. Meus pais, lá no passado, mesmo sem querer, tornaram isso possível quando compraram a muito custo aquela enciclopédia. Termino esta postagem às vésperas de um dia dos pais, que um dia a Rafaela possa também passar isso adiante e ter boas lembranças do seu tempo de criança, suas curiosidades e descobertas de um mundo todo que poderá admirar pela frente.

 

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